top of page
Buscar
  • Foto do escritorHenrique Correia

As "jotas" só fazem sentido a inovar e exigir, não a fazer carreiras...



A "jota", de qualquer partido, deve inovar, intervir, exigir, ser irreverente para dentro e com isso captar, pela confiança e credibilidade, cá fora. Mas para isso, os líderes devem "falar grosso", devem defender o todo e não a (sua) parte.




O universo jovem está em constante processo de "divórcio" com a política e com o espaço, inexistente, do exercício de cidadania, no fundo o simples debate cívico sobre as questões que na realidade preocupam os jovens no seu percurso académico e, depois disso, no acesso ao mercado de trabalho. Sendo o exercício político uma exclusividade dos partidos e estes um "exército" de conveniências, facilmente se chegará a uma conclusão que o exercício dessa política é como uma discoteca em que o segurança só deixa entrar quem tiver olhos azuis e "coluna flexível".

Os jovens da "vida normal" facilmente chegam à desilusão e ao afastamento dos partidos, da política, dos votos, das escolhas, da ausência de decisão sobre um País, assim, sem futuro. Sim, um País que tem estes níveis de abstenção na juventude, em momentos de exercício de um direito, e dever, que a revolução de abril abriu, é um País sem futuro.

Os partidos tentam capitalizar a sua influência e devem procurar ir além dos filhos, dos netos, de um conceito familiar da política, que fez com que as jotas se tornassem numa carreira para a vida, uma espécie de "herança", em muitos casos de maior sucesso, a esse nível, do que propriamente qualquer outro pecúlio, patrimonial por exemplo. As jotas partidárias são como os partidos, um centro de carreirismo sujeito a humores dos líderes e muito assentes na conveniência, muito mais do que na competência. Daí o afastamento generalizado da população jovem, fora do que em tempos se apontou como os "filhos" (muitos netos) do "carro preto", naturalmente numa relação no sentido figurado com os membros dos governos, no caso da Madeira já com acentuada corrente geracional, o que exolica, em parte, a existência de um "modo de operar" na coisa e na causa pública.

Se um jovem quer ir para o que por aí se vê, então é na JSD. Esta ideia está instalada sabe-se lá porquê (...)

Pois bem, foi essa JSD que um destes dias promoveu uma ação política de captação de jovens, um pouco o "acordar" para a nova "vida política" na procura de um nicho de mercado que faça o PSD-Madeira recuperar os votos que tem perdido. Nada é o que era, claro está. Nem a JSD, que perdeu força junto do PSD, caiu a pique na influência passada, também esteve mais fraca nas lideranças, pouco autónomas, muito coladas aos seniores, e por isso a perder muita da confiança que a jotas já tiveram.

Esta iniciativa denomina-se "Jota-te" e é um "regresso às escolas". Começou em 2023 e diz que o objetivo é "promover a literacia e a proximidade da estrutura de Juventude laranja à comunidade estudantil". Uma coordenação atribuída à estrutura estudantil da JSD (ESD´S Madeira) sob liderança de Constança Sobreiros, presidente da referida estrutura.

Segundo nota publicada nas plataformas do PSD Madeira, "a líder dos estudantes social-democratas alerta para as consequências da abstenção jovem, destacando a prevalência desta “na faixa etária dos 18 aos 30 anos”. “É a negação simultânea de um direito e de um dever, constituindo um fenómeno que alimenta o crescimento dos extremismos, à esquerda e à direita".

"Numa época em que a indiferença está instalada e em que existe um encolher de ombros generalizado na nossa sociedade, cabe à juventude ser a voz da inovação, recorrendo à irreverência, ao arrojo e à sua vontade de fazer melhor.”

A ideia da JSD é boa na sua génese. Não vai mudar nada na forma de agir, nem da JSD nem do PSD, mas tenta chegar alguma mensagem de sensibilização aos jovens. Mas para isso, para sensibilizar, uma "jota" não pode ser uma estrutura do "sim senhor", deve inovar, intervir, exigir, ser irreverente para dentro e com isso captar cá fora. Mas para isso, os líderes devem "falar grosso", devem defender o todo e não a (sua) parte.


9 visualizações
bottom of page