"Brinquedo" chamado Mobilidade: PSD culpa PS, PS culpa PSD
- Henrique Correia

- há 1 minuto
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Enquanto os partidos se entretêm em acusações para ver quem é o mais culpado, Miguel Gouveia, ex-presidente da Câmara do Funchal, na ótica do utilizador, considera a plataforma "um calvário".

O novo Modelo de Mobilidade Aérea, o erradamente chamado de Subsídio de Mobilidade, deveria unir e não dividir madeirenses, também os partidos, mas a dialética partidária, a retórica conhecida de quem anda na política por militância e tantas vezes se confunde nas causas, acabam por toldar o raciocínio que se torna essencial num momento único de afirmação autonómica, um momento em que o tema, como já se viu, vai muito além das declarações de não dívida, à Segurança Social e ao Fisco, exigidas aos residentes, e que decidem se há ou não direito ao reembolso. E vai muito além porque essa é uma parte do grande problema que é aceder e completar o exercício de paciência na plataforma.
A proposta da Região está na Assembleia da República e o facto do Governo de Luís Montenegro não ter maioria absoluta e haver uma grande probabilidade de obrigar o Executivo Nacional a alterar esses condicionalismos e aquilo que a Região entende como discriminação.
Mas hoje, voltou a ocorrer uma troca de argumentos entre os deputados do PSD-M e o deputado madeirense do PS-M, Carlos Pereira, como se sabe eleito por Setúbal mas muito ativo pela Região de onde é natural.
Pois bem, uns dizem "se não fosse o PS a atrasar", outros dizem "se não fosse o PSD atrasar". E andamos nisto quase dia sim, dia não, sem que ninguém assuma, na verdade, uma postura acima dos partidos. Uma postura que represente libertação partidária, de lá e de cá, em nome de um objetivo superior.
A deputada Vânia Jesus diz que “se não fosse o PS, já estaríamos a agendar a data para a votação deste processo na especialidade”.
O deputado Carlos Pereira diz que
"hoje aconteceu o que nunca devia acontecer : o PSD decidiu avançar com 3 audições,por causa do subsídio de mobilidade, e, ainda por cima, presenciais . Pior . Arrastou estas audições para 25 de Março . Esta atitude praticamente impede a mudança da mobilidade antes do fim do mês".
A deputada Vânia refere que "o PSD/M foi o primeiro a dispensar audições e sempre defendeu que todas as iniciativas deveriam ser discutidas em conjunto, garantindo-se o rigor técnico, a transparência e a igualdade de tratamento entre todas as propostas e foi o PS, com o apoio do Chega, que recusou esse caminho, levando agora à existência de dois processos legislativos distintos sobre o mesmo decreto-lei, atrasando, ainda mais, este dossiê”.
Carlos Pereira diz que "o que se assistiu na comissão de infraestruturas hoje de manhã é uma vergonha nacional , mas, para minha surpresa, teve o beneplácito de deputados do PSD M que, estando presentes, ficaram calados e subservientes a estas manobras do PSD e do governo da AD! Já tinha apelado ao PSD M para se colocar ao lado dos madeirenses ! Não aconteceu e é muito muito feio".
A deputada Vânia acusa: "Esta manhã assistiu-se a mais uma tentativa do PS de criar ruído político e de alimentar polémicas mediáticas que nada acrescentam ou contribuem para a resolução de um problema que, durante anos, foi precisamente ignorado por este Partido, para prejuízo de todos os Madeirenses e Porto-Santenses...Foi o PS, com o apoio do Chega, que apresentou e fez aprovar um requerimento que deu prioridade às apreciações parlamentares em detrimento das iniciativas legislativas apresentadas pelas Assembleias Legislativas da Madeira e dos Açores”.
Relativamente à realização de audiências, Vânia Jesus referiu que, já na reunião da Comissão realizada a 24 de fevereiro, os deputados do PSD/M tinham dispensado a realização de mais audições, permitindo que todas as iniciativas, incluindo as das Assembleias Legislativas Regionais, avançassem em simultâneo para a fase de especialidade. Aliás, vinca a deputada, “se não fosse esta postura do PS, já estaríamos na fase de fixação de prazo para a apresentação de propostas de alteração..."
Enquanto os partidos se entretêm, o ex-presidente da Câmara do Funchal e ex-vereador da Confiança considerou, na ótica do utilizador da plataforma, que "é um calvário". Explica que "é uma espécie de igualdade absoluta na frustração que a plataforma recém-inaugurada gera. Isto para nem comentar as inenarráveis respostas da linha de apoio, exclusivamente por e-mail, provavelmente escritas por uma qualquer versão de IA, treinada para nos levar a desistir".



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