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Calado já prepara o regresso: "Quero voltar"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
há 5 horas
3 min de leitura

Antigo vice do Governo, arguido num processo judicial por suspeitas de corrupção, já está em percurso de regresso à Política. Contra Albuquerque, nunca. "Só se acontecer alguma situação..."



Imagem Diário


"Eu quero voltar". Foi assim, em título, que o Diário destacou uma entrevista com Pedro Calado, antigo vice presidente do Governo Regional, antigo presidente da Câmara do Funchal. Uma entrevista como quem diz, na verdade são duas em dois dias, uma entrevista "completa", como diz o matutino, amanhã, domingo, no podcast "Rostos da Autonomia", e na TSF, mas uma completa entrevista já hoje, sábado, em antecipação da outra, o que na verdade assume preponderância de "catalisador" para o plano de regresso de Calado à Política depois da operação policial, por suspeitas de corrupção, que o levou à detenção, por 22 dias, antes do primeiro interrogatório, após o qual saiu em liberdade. 

Neste "resumo" de três páginas da edição a papel, Pedro Calado admite o objetivo de voltar à Política. Pode ser antigo ou ex dos cargos que ocupou, mas é simultaneamente potencial candidato a tudo, não exclui nada. Faz parte da estratégia e do foco. O regresso partidário já está, é membro da Comissão Política, falta o resto, é uma questão de tempo e já começou por onde os político gostam de começar, pela comunicação social, é comentador na TSF, e o grupo Diário a estar na linha da frente, como aconteceu com Jardim e Albuquerque, sempre que "cheirou" a candidatos e a Poder, é da história para quem tem memória e pode reviver antes que que a amnésia cirúrgica faça o seu habitual percurso.

Nesta entrevista, Calado diz que esta sua vontade de voltar é contrária à da sua família e de outras pessoas próximas. Mas o "bichinho" da Política falará certamente mais alto. O caminho faz-se caminhando e Calado sabe muito bem os caminhos das idas e dos regressos melhor do que ninguém, no privado e no público. E se fosse hoje, diz que não teria saído da Câmara face ao processo judicial, foi aconselhamento jurídico, a decisão foi sua, mas se fosse hoje...

O antigo vice do Governo, nota-se, já decidiu voltar, mas relativamente ao futuro, designadamente a uma eventual candidatura a líder do PSD-M e do Governo, deixa claro que enquanto estiver Albuquerque, não se assume como candidato. Embora o nunca, em Política, possa ser amanhã com muita facilidade. "Não vou passar por cima de ninguém". "Só se acontecer alguma situação...Mas também deixa esta salvaguarda: "Se quiserem, se não quiserem..."

Diz-se leal ao atual presidente, era a melhor solução na altura, continua a ser agora. Um dia, quem sabe, Calado pode ser tudo o que dizem que pode ser, e ele não desmente, mas sempre articulado com Miguel Albuquerque. Defende que Jardim não soube preparar o PSD-M para o futuro, a sucessão, e diz que uma preparação do partido é importante, uma vez que o PSD-M, sem união, faz crescer a oposição.

Calado aborda a mais recente polémica resultante de um seu comentário na TSF: a Madeira está a crescer, mas para onde vai tanta riqueza, face às dificuldades sentidas pelas pessoas? Diz que não o fez para ser negativo, mas confrontado com a reação de Albuquerque dizendo que é um palpite e que não vai em palpites, Calado responde que "há palpites mais gravosos". "Não posso olhar para uma Região e dizer que está tudo bem e não há nada para fazer".

Um episódio que não tira o foco relativamente ao que é realmente o foco. De ambos.

Na realidade, Pedro Calado está a preparar o regresso efetivo. No partido já está, falta o resto, sendo que o resto, a par de um andamento do processo judicial, que nos bastidores apontam até final do ano, sem certezas, como é habitual na Justiça, será certamente um cargo de topo, talvez o regresso a vice numa primeira fase, e uma candidatura a líder do PSD-M e do Governo, depois. Se a Justiça for no sentido favorável, caso contrário será difícil, ainda que na Madeira as dificuldades com a Justiça têm um efeito de garantia.

Para reavivar memórias, ficam duas "insinuações" de Calado: as internas do PSD-M, em 2012, que promete um dia contar a história. E o processo judicial, na sequência de denúncias de gente do seu próprio partido. Calado sabe quem são.

Recorde-se apenas que em 2012, Jardim venceu as internas a Albuquerque, por poucos votos, mas o processo eleitoral suscitou algumas dúvidas na equipa do derrotado. Talvez seja essa a história que Calado diz poder contar. Um dia, quem sabe.

 
 
 

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