Calado volta "forte": "Toda esta riqueza está a ir para onde...?"

Antigo vice do Governo, agora comentador, diz o que o que os madeirenses sentem e o que o Governo ignora com a tese do crescimento: "Temos uma Região rica no papel".

O antigo vice presidente do Governo Regional e antigo presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, que se afastou da vida política em consequência de um processo judicial, ainda em curso, integra o novo painel de debate, na TSF Madeira, partilhando o espaço com Filipe Sousa e Paulo Cafôfo. Um regresso à visibilidade pública depois de ter regressado, politicamente, à Comissão Política do PSD/Madeira.
E na verdade, este "reaparecimento" de Calado não poderia ter sido mais marcante do ponto de vista da análise pragmática sobre a realidade da Madeira, de certo modo em contraciclo com a visão de sentido único, do Governo, particularmente do presidente do Governo, como se sabe do mesmo partido de Pedro Calado, que tem vindo a elevar o crescimento, que já deve andar pelos 64, 65 meses, pelo desemprego residual e pela redução de impostos.
Pois bem, este cenário teórico de Albuquerque é bonito no papel, e fica bem nos discursos, mas a verdade é que, segundo Calado e segundo sentem os madeirenses, esta riqueza toda não chega ao povo.
Calado lembra que a Madeira, há 50 anos, era das Regiões mais atrasadas do País e da Europa, mas hoje atinge números que a colocam num patamar de Região rica. "O PIB per capita é de 107% relativamente à média nacional. Temos melhor economia, mais empresas, mais tecnologias, mais desenvolvimento, menos desemprego. Mas a verdade é que a inflação na Madeira foi, em junho, de 5%, enquanto no País foi de 3,6%".
Com este desenvolvimento todo, Pedro Calado pergunta: "Toda esta roqueza está a ir para onde? As pessoas continuam a ter muitas dificuldades quando vão ao supermercado, quando vão abastecer o carro, quando têm de fazer o seu dia a dia, quando não têm casas disponíveis, quando as rendas das casas são elevadas em relação ao que deveriam ser".
No papel, temos uma Região rica, temos um País a fazer um bom trabalho, mas há muito a fazer para que a nossa população não sinta a riqueza apenas em dados macroeconómicos conjunturais".
Para o antigo vice do Governo, hoje comentador, o problema foi a "falta de previsão relativamente às consequências do crescimento, que originou mais consumo, aumento de preços, mais encargos bancários e o rendimento líquido é escasso" Além disso, diz, não houve previsibilidade de progressão nas carreiras, há pessoas que entram agora no mercado de trabalho e ganham o mesmo do que pessoas que trabalham há muitos anos, não há rendimentos ligados à produtividade.



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