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  • Henrique Correia

"Carlos Pereira interpreta mal o sentimento actual dos maritimistas"


João Pedro Vieira, sócio do Marítimo desde os 12 anos, é voz de alerta: "A massa adepta está, e bem, preocupada. A hora é de escutá-la e de procurar uni-la em torno de um objectivo comum, não de censurá-la"



É uma posição forte de um maritimista, de uma geração mais nova, que vive este "pesadelo" dos maus resultados e do último lugar da I Liga como todos os outros adeptos e associados de qualquer idade. O valor mediático das suas palavras, pelo mediatismo adquirido no desempenho de funções políticas, falamos do médico João Pedro Vieira, já foi secretário-geral do PS Madeira e vereador na Câmara do Funchal, visa dar voz aos sócios, sobretudo depois da conferência de imprensa do presidente Carlos Pereira ter funcionado, essencialmente, para mandar recados aos críticos, aos "críticos do Governo", que na opinião do líder do clube deveriam, antes da crítica, ajudar o Governo a resolver a dívida crónica do clube. João Pedro Vieira fez hoje uma exposição, no Facebook, onde revela ser "sócio do Marítimo desde os 12 anos, à altura a idade mínima para entrar no estádio a pagar", mas antes disso já ia ao estadio. E é nesse enquadramento que aponta os méritos de Carlos Pereira "no trajecto desportivo e no património que ajudou a erguer", mas diz que o líder verde-rubro "interpreta mal o sentimento actual dos maritimistas quando se proclama como o terceiro marco histórico de uma colectividade centenária. Para os sócios e adeptos do Marítimo, o que interessa mesmo é a mística do Caldeirão, da vitória ou, quando não é possível, da entrega sem limites - e por isso preferimos a subida de divisão, o campeonato de Portugal, as finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, ou os jogos na Europa, a qualquer outra referência patrimonial. A mim, por exemplo, dizem-me mais cada um dos três golos do Lagorio frente ao Benfica do que sentar-me nas confortáveis cadeiras da tribuna, ou na velha cantaria das cabeceiras e do velhinho peão". João Pedro Vieira escreve para expressar que "a massa adepta está, e bem, preocupada com os resultados desportivos que vamos registando, de ano para ano mais aflitivos e consequência de um projecto desportivo irreconhecível, se esse é o sentimento reinante, a hora é de escutá-la e de procurar uni-la em torno de um objectivo comum, não de censurá-la". Reforça que "ninguém quer tanto que o Marítimo ganhe como Luís Olim, Eugénio Mendonça, ou tantos outros, que são muitas vezes fiéis intérpretes do sentimento maritimista. Não são menos maritimistas por isso, são mais; não são piores, são melhores, porque têm a coragem dos mesmos que dentro de campo levaram-nos onde antes nunca sonhámos ir. Se este é o momento mais difícil da nossa História recente, não se resolverá branqueando o evidente e tornar-sé-á mais angustiante ainda se se colocar de um lado os bons e do outro os supostos maus maritimistas. Falar verdade não merece castigo e os problemas que temos dispensam que quem lidera acrescente outros". O momento, diz o médico e associado do Marítimo, "é, por isso mesmo, de saber ouvir as críticas justas, reflectir, corrigir caminhos e unir: os que apoiam silenciosamente e os que criticam construtivamente; os que pensam igual, mas sobretudo os que pensam diferente. No final do dia, uns e outros querem o mesmo, ganhar, e o Marítimo sairá mais forte como resultado dessa construção colectiva. O Marítimo, sobretudo este que temos, precisa de todos e quem conhece os meandros do futebol sabe bem que agora mais ainda. A descida não é inevitável, mas precisa da energia de todos - e no povo maritimista, estamos todos pelo Marítimo. Talvez o próximo jogo em casa seja um bom momento para, com alguma criatividade, recordá-lo".


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