Diretor clínico dá "murro na mesa": não há resposta social
- Henrique Correia

- há 5 horas
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Júlio Nóbrega revela o caos hospitalar por haver internamentos à espera de resposta da Segurança Social. Diz que há reuniões mas nada de respostas. Cem cirurgias canceladas. E lembra: contratamos, compramos equipamentos, robôs, e depois não podemos fazer cururgias.

Escusas de responsabilidade por parte de enfermeiros, promessas não cumpridas com estes profissionais, suspensão das visitas aos internamentos no Serviço de Urgência, que revela uma elevada taxa de ocupação, com cerca de 50 doentes a aguardar internamento. Destes, 10 são pessoas com alta clínica, que aguardam encaminhamento para respostas adequadas na comunidade, o Hospital Dr. Nélio Mendonça conta, neste momento, com cerca de 200 pessoas em situação de alta clínica, que permanecem internadas por aguardarem encaminhamento para respostas adequadas na comunidade, realidade que continua a exercer uma pressão significativa sobre a capacidade de resposta hospitalar.
Este é o quadro de caos em que "mergulha" a Saúde Regional, atingindo uma gravidade que, agora, além das queixas de profissionais, utentes e oposição política, tem uma voz a dizer basta: o diretor clínico do SESARAM atingiu os limites e em entrevista à RTP-M abordou a eterna situação das altas problemáticas. Promessas de solução há muitas, soluções estão no zero.
Júlio Nóbrega diz que a situação está a pressionar a capacidade do Serviço de Saúde, uma vez que os doentes que necessitam de internamento têm de aguardar, naquele serviço, que sejam disponibilizadas vagas para internamento. Estamos a funcionar com 60% da capacidade hospitalar, o que significa que os restantes 40% representam ocupação das altas clínicas, de pessoas que já tiveram alta, mas por várias razões as famílias não acolhem".
O diretor clínico é claro quando diz que o foco do Hospital é tratar da Saúde, e é direto quando afirma que tem havido, por parte do Governo Regional, uma falta de resposta social, não há Segurança Social que acompanhe as necessidades destas pessoas, salvaguardando que algumas das pessoas em alta clínica poderiam regressar a casa mas as famílias recusam.
Júlio Nóbrega revela que "entre os 53 doentes nos corredores das Urgências, estão doenças graves, como AVC, problemas cardíacos, pneumonias, doenças pulmonares crónicas e outras patologias. Isto do ponto de vista científico é grave e os dados revelam que um doente com mais de 12 horas numa situação destas, a probabilidade do tratamento não resultar aumenta. Do ponto de vista ético está errado, do ponto de vista humano muito errado".
O diretor clínico até tem números que comprovam não haver aumento do recurso às Urgências e os internamentos até diminuíram tendo por base o mês de junho por comparação com mês homólogo de 2025.
Por isso, as altas clínicas são, neste momento, um problema central e grave, que está a afetar a prestação do serviço de saúde. Júlio Nóbrega dá outro número preocupante: nos últimos meses, cancelámos cerca de 100 cururgias. E lembra: "Investimos na contratação de médicos e enfermeiros, em equipamentos, em robôs cirúrgicos, temos Inteligência Artificial aplicada, e depois não fazemos cirurgias por não termos onde deitar os doentes. E porquê? Porque essa cama está a ser ocupada por um doente que a Segurança Social devia resolver e não resolveu. Nem há perspetivas de resolver. O Conselho de Administração do SESARAM, a senhora secretária regional, estamos a tentar resolver o problema, até já visitámos locais onde poderiam internar esses doentes, como o Inatel por exemplo, mas a verdade é que depois as coisas não acontecem. Passamos o tempo em reuniões e as coisas não acontecem.
E agora? Agora, diz Júlio Nóbrega, se não houver solução, o próximo passo será suspender toda a atividade formativa do Hospital e ocupar essas salas com utentes em alta problemática.



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