Houve pressão do grupo Blandy para vender ao Lidl mesmo com chumbo à vista?
- Henrique Correia

- 18 de out. de 2022
- 3 min de leitura
Pedro Calado admite ter havido alguma precipitação que não lhe compete analisar. Mas mesmo assim, diz ter havido alguma "pressão por parte dos vendedores". Quem? O grupo Blandy? Claro...

Esta "história" à volta da instalação do Lidl no antigo edifício da Madeira Wine, no Largo da Cruz Vermelha, o Largo Severiano Ferraz para sermos mais precisos, tem alguns contornos difíceis de "decifrar" assim à primeira vista. Em todos os passos, incluindo aquele dado ontem e que já era previsível em função do que está em jogo. E a via mais fácil, para a Câmara sair de cabeça levantada, era o Lidl ceder com a mudança de projeto, envolvendo uma componente de construção residencial que levará o grupo a uma parceria com quem percebe de construção, deixando aqui uma porta aberta de negócio apetecível e não nos parece que, a ser esta parte da solução, venha a ser a preço controlado.
Em primeiro lugar, já aqui dissemos, um grupo como o Lidl, de grande implantação Internacional, não vai arriscar um investimento que oficialmente foi apontado como sendo de 5 milhões, sem saber se pode avançar com o projeto dentro da sua área de negócio. Depois, também com base em fontes, já o dissemos que o Lidl manteve contactos com empresários com força negocial que terão garantido "luz verde" da Autarquia, mas não terão contado com a posição intransigente do vereador do Urbanismo João Rodrigues, um homem de confiança de Pedro Calado, mas pouco aberto a mudanças de posição quando assume uma decisão. Daí o grupo ter recorrido para Calado, mas sem sucesso porque o presidente não ia desautorizar o seu vereador, que ainda por cima tem condições de bater com a porta a qualquer momento.
Face a este enquadramento negocial e respetivo impasse legal, havia necessidade de encontrar uma solução sem colocar em causa o vereador e a Câmara. E como se fazia isso? O Lidl assumia cedências e fechava-se o negócio. O argumento da CMF de congestionamento de tráfego automóvel na zona, já de si condicionada em horas de ponta, resolve-se com uma entrada diferente para os camiões. Como pouca gente sabe onde os camiões entravam no projecto, esta alternativa dá para tudo, é uma cedência que provavelmente será complementada com um ou outro arruamento alterado pela Autarquia. Se vai suspender o PDM para construir o Lidl na Rua Dr. Pita, porque razão não resolve contornar o chumbo na Cruz Vermelha?
Mas o que suscitou algumas curiosidade foi a declaração de Pedro Calado, publicada no Diário, que dá uma "picada" nada meiga aos vendedores, no caso o grupo Blandy, que para termos noção era no tempo de Jardim no Governo e Albuquerque na Câmara do Funchal, o equivalente ao AFA dos dias de hoje, através do Diário que historicamente, desde o Estado Novo, do tempo de Alberto Araújo, sempre foi um jornal do sistema, por muito que parecesse, com sucesso, o que não era. Curioso, também, que o grupo Blandy, que desde há uns tempos, está vendedor no mercado, também já se desfez de grande parte na comunicação social.
Mas vamos ao que (também) interessa do que disse Calado aos jornalistas. Sobre a solução, tão repentina quanto previsíve, Pedro Calado diz que o Lidl reconheceu que os argumentos da Câmara são sempre os mesmos e já tinham sido apresentados antes da compra do terreno. O presidente da Câmara admite ter havido alguma precipitação que não lhe compete analisar. Mas mesmo assim, diz ter havido alguma pressão por parte dos vendedores. Quem? O grupo Blandy? Claro...



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