top of page

Investidor "secreto" vai "meter" 11 milhões por 40% no Marítimo

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 17 de jul. de 2025
  • 6 min de leitura


Representante estará na Assembleia-Geral, confirma a Direção do Marítimo em resposta às dez questões colocadas pelo sócio João Pedro Vieira.




O segredo é a alma do negócio e o Marítimo tenta, a todo o custo, ocultar a quem será o grupo investidor de 40%, resultando daí uma verba de 15 milhões, que ficam em 11 retirados os impostos. O investidor está "secreto" mas vai estar representado na Assembleia-Geral desta sexta-feira, 18 de julho. A RTP-M adiantou ser um grupo brasileiro, pode ser que até à reunião se saiba mais.

Algumas informações foram dadas pela direcção de Carlos André Gomes, o presidente do clube, em resposta enviada ao sócio e figura pública João Pedro Vieira, que formulou dez perguntas, como aqui demos conta ontem.

João Pedro Vieira quer saber, entre outras questões, a identidade do investidor e o que aportará à gestão do futebol; os valores de investimento anual obrigatório, ou previsto, e o orçamento anual previsto para o Marítimo da Madeira Futebol SAD; o modelo exato de repartição de receitas, que acautele os interesses e necessidades do Clube.

E o clube respondeu assim:


1) Identidade do investidor: Tal como explicado na página de informações sobre a alienação da SAD, por imperativos de natureza regulatória, de segurança institucional e de estabilidade do mercado, não será ainda possível revelar publicamente a identidade do investidor nesta fase. Esta reserva, temporária, visa não apenas o cumprimento de exigências legais e pré-contratuais, mas também a salvaguarda do processo de transição, minimizando riscos de especulação, pressão externa e perturbação do normal funcionamento da SAD e do Clube.

No entanto, podemos assegurar aos nossos sócios que o investidor estará presente na Assembleia-Geral para se apresentar pessoalmente, dar a cara e esclarecer todas as dúvidas. Mais do que um nome, o que está em cima da mesa é uma visão partilhada, uma proposta sólida e uma estrutura contratual blindada que protege o Clube em todas as frentes — institucional, jurídica e desportiva.


2) No que diz respeito à verba líquida para o clube, teremos sempre de levar em conta a necessidade de liquidação de imposto em sede de IRC e comissão a pagar ao agente que tem trabalhado na operação. Neste momento estamos em articulação com um fiscalista por forma a estudar a possibilidade da operação estar isenta ou não de tributação em sede de IRC, pelo que, pelo princípio da prudência estimamos um valor de líquido para o clube na ordem dos 11 milhões de euros por contrapartida de um valor bruto de 15 milhões.


3) O orçamento da época que agora se inicia está em linha com as capacidades do Club nesta fase, em linhas idênticas ao orçamento da época transacta.


4) Valores de investimento anual: Não está definido um valor de investimento anual obrigatório por parte do investidor, mas garantidamente que esse investimento será feito tendo como objetivos a subida de divisão, a manutenção na primeira liga e o apuramento para as competições europeias pois só assim será possível garantir uma classificação que vá de acordo às aspirações dos sócios e acima de tudo garantir ao investidor o retorno financeiro do avultado investimento que fará com este negócio.


5) As vantagens para o clube na integração de toda a estrutura do futebol “extra-formação” na SAD, é a possibilidade de voltar a ser competitivo num futebol disputado entre empresas. Além disso resulta numa redução financeira para o Club Sport Marítimo, na medida em que o orçamento da equipa de futebol feminino deixa de ser assegurado pelo Club e passa a ser assegurado pela SAD.


6) O modelo de repartição de receitas na sua globalidade visa assegurar ao Club Sport Marítimo percentagens de receitas que garantam a sustentabilidade do mesmo. Todas as receitas estão pensadas e estruturadas num modelo de partilha entre SAD e Club garantindo que nenhuma das 2 entidades sai prejudicada. Aquilo que se procurou garantir foi o acordo macro (com a definição de percentagens mínimas atribuídas a cada rúbrica) que uma vez aprovado permitirá ao clube partir para uma fase de negociação que descriminará de forma muito minuciosa toda a estrutura de repartição de receitas. Não nos esqueçamos que não é a aprovação em Assembleia Geral que finaliza o negócio. Por estas razões (acrescida do grau de incerteza relativamente aos valores de algumas das fontes de receita), nesta fase não é possível quantificar ao certo os valores.


7) Aquando das primeiras reuniões com o Grupo investidor foi firme intenção do mesmo, adquirir desde logo a maioria da SAD, nomeadamente 60% do seu capital social. O modelo que esta direção desenhou e que mereceu aprovação da parte interessada implica a venda de 40% do capital social mas atribuindo a maioria do conselho de administração da SAD ao Grupo investidor. Esta foi uma condição imprescindível para o negócio avançar. No entanto é importante salientar que o Club, continuará a ser o único detentor de ações de categoria A, que permitem usar de direitos especiais, nomeadamente estar sempre representados no Conselho de Administração e poder de veto em matérias como aumentos de capital e alterações estatutárias.


8) As matérias objeto de preocupação estarão devidamente acauteladas no âmbito do SPA (Share Purchase Agreement), mediante a inclusão de cláusulas contratuais adotadas em transações de aquisição com caraterísticas semelhantes quanto à natureza e dimensão do negócio. Para o efeito o SPA contemplará, designadamente os mecanismos jurídicos adequados à regulação de situações previsíveis no decurso da relação societária futura entre as partes, incluindo entre outros, a definição de uma metodologia de valorização das ações aplicável em caso de recompra, assegurando-se, assim, previsibilidade e equidade no tratamento de potenciais cenários de saída ou reestruturação da participação societária. A capacidade do Club para financiar uma operação de recompra só poderá ser aferida mediante o momento em que a necessidade surja e o modelo de negócio que se apresente nesse momento.


9) O Club continuará a ser o único detentor de ações de categoria A, que permitem (independentemente da percentagem) usar de direitos especiais, nomeadamente estar sempre representados no Conselho de Administração e poder de veto em matérias como aumentos de capital e alterações estatutárias (entre outras).


10) Por mero lapso, embora já devidamente aprovadas, não haviam sido publicadas.

 

Por fim, uma mera referência a alguns dos considerandos apresentados pelo caro sócio:

- Quanto aos números da receita de 61 milhões a 10 anos, permita-nos esclarecer o seguinte. O plano comercial apresentado anteriormente que  uma vez implementado, em velocidade cruzeiro, poderá representar 3,2 milhões de euros por ano, ainda não se encontra totalmente fechado nem se afigura que tal aconteça nos meses mais próximos, pois no mesmo contempla, entre outras, receitas do prédio vulgo “Galinheiro”, cujas obras estão por concluir, receitas do 4º piso do estádio também por concluir, receitas do hotel no Estádio do Marítimo também por concluir e receitas de espaços no Complexo de Santo António que ainda carecem de obras de adaptação. Todos estes espaços à exceção do 4º piso do estádio, não terão as suas receitas partilhadas com a SAD pelo que a renda daí advinda nunca poderá ser considerada nestas contas.

Para além disto, e sendo certo que o plano comercial é de extrema importância para a sustentabilidade do Club Sport Marítimo a verdade é que a sua implementação só é possível se houver recursos financeiros para conclusão das respetivas obras, algo que no atual momento o Club Sport Marítimo não dispõe, logo considerar que o investidor irá ter acesso a 32 milhões de euros em resultado da aplicação do plano comercial não tem correspondência com a realidade. Aliás, nem quando o plano comercial estiver implementado isso será realidade pois parte do pressuposto de que a SAD receberia 100% da receita, o que não é, de todo, o caso.

Em segundo lugar, nos cálculos que apresenta está a ser incluída uma “receita” de 12 milhões que na verdade não corresponde a uma receita da SAD mas trata-se sim de um crédito a ser liquidado pelo Club uma vez que, a partir do momento em que a SAD se separa do Clube, é sempre devido. Valor esse que será disponibilizado à SAD mediante a prestação de serviços a liquidar através de encontro de contas;

E, por fim, porque nessa equação está a incluir receitas na ordem de 17 milhões que têm um grau de incerteza muito grande pois o contrato de direitos audiovisuais termina a 30 de Junho de 2026 e o contrato programa com o Governo Regional só está assegurado por mais 2 anos.

Mas, por mero exercício mental, mesmo que fosse o caso de estarem garantidos 61 milhões de euros de receita para a SAD nos próximos 10 anos, um valor de 6,1 milhões de euros por época é manifestamente insuficiente para que o Club Sport Marítimo consiga, de forma autónoma, ter uma SAD competitiva no mundo do futebol atual.



 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
white.png
© Designed by Teresa Correia
bottom of page