Jardim: a "gravatinha" e o perigo das saudades do fascismo...
- Henrique Correia

- 26 de set. de 2025
- 2 min de leitura
"Na Assembleia Legislativa viu-se o Protocolo ir mudando ao sabor dos dias...Muito felizes, nem sequer com uma gravatinha".




Alberto João Jardim decidiu escrever sobre protocolo. Jardim sempre foi um político de protocolo e sempre fugiu ao protocolo para poder presidir a todas as cerimónias. E fê-lo da forma que se conhece: sempre que a presença do Representante da República implicasse ser este a presidir, Jardim fazia uma de duas coisas: ou não ia, delegava representação num secretário, ou não convidava o Representante. Não era muito cordial, mas Jardim era assim, aqui mandava ele e não se falava mais nisso. Os Representantes sabiam, mas também ninguém estava interessado em "comprar guerras" com o então presidente do Governo. Não era por acaso que as lideranças de instituições da República na Região, incluindo as polícias, faziam do silêncio como um "código de conduta" na Região. Muitos chegaram e partiram sem que se desse por eles. Era assim.
Ora bem, Jardim saiu, mas agora decidiu abordar a questão do protocolo no âmbito de um artigo publicado no JM, explicando as razões de um procedimento "mesmo em comícios partidários ou sempre que em reuniões com o Povo, eu me apresentar de gravata; porque é que eu pedia aos Deputados de meu Partido que se apresentassem no Parlamento sempre de gravata.
O “rasca” destrói as Instituições".
Para Jardim, "a geração que sucedeu, num ápice curvou-se aos “espíritos” do Estado maçónico-partidocrático, e é o que se vê!...Há Concelhos onde actos autárquicos também servem para o revanchismo político-partidário mal-educado. Uns convidam o Representante da República, quando a tutela inspectiva pertence ao Governo Regional, só para provocar. Outros fazem um “novo” protocolo sem pés, nem cabeça, e já se viu o mais Alto Comandante das Forças Armadas misturado com as Juntas de Freguesia, o Bispo da Diocese atrás de Vereadores, bem como o Reitor da Universidade, nada de Juízes, etc".
E os deputados do atual Parlamento, que Jardim engloba numa era geracional que lhe sucedeu, sob liderança de Miguel Albuquerque, não escaparam a esta "pena leve" de escrita "pesada": "Na Assembleia Legislativa viu-se o Protocolo ir mudando ao sabor dos dias...Muito felizes, nem sequer com uma gravatinha!...Por um lado, ao que isto chegou, não deixa de dar vontade de rir!...Mas, atenção! A degradação das Instituições, a começar pela da Autonomia Política só conseguida 550 anos depois da ocupação e povoamento das Ilhas, oferece PERIGO que agrada aos “integracionistas”. E há-os no Parlamento...É O de alguns pensarem que não foi para isto que se construiu a Autonomia, e sentirem saudades do fascismo e dos Governadores Civis".
Já agora, por curiosidade, o acessório apontado por Jardim como "essencial", vem do tempo em que uma gravata falava bem mesmo sem conteúdo. A origem, refere a história, está na França do século XVII, inspirada em lenços usados por soldados mercenários croatas durante a Guerra dos Trinta Anos. Essas peças, chamadas "cravates", chamaram a atenção da corte do Rei Luís XIV, que as adotou e popularizou, originando o termo".



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