Buscar
  • Henrique Correia

Jesus: a mania da superioridade


Não gostei. Como não percebi a razão pela qual o Marítimo ainda não veio defender o seu treinador. É esta pequenez da “grandeza” de certa gente que eu também não gosto.



Declaração de interesses, antes do que vou escrever: sou do tempo em que tínhamos dois clubes favoritos, um de cá e outro de lá. Talvez porque, apesar de estarmos numa ilha, também queríamos ser campeões nacionais e para esse patamar só mesmo Benfica, Porto e Sporting. Penso que não nasci com um clube à vista, fui gostando, talvez pela popularidade da época, gostei e fui ficando com o Marítimo, cá, e o Benfica, lá. Hoje, são dois clubes que têm andado lá por baixo, ambos incompreensivelmente, uma vez que, às suas medidas, orçamentais e de dimensão real, têm feito pouco nos respetivos espaços de exigência. E ambos com presidentes teimosos, que se julgam treinadores também, é muito comum no futebol. Não gosto, mas isso não interessa. Não se muda de clube. E até já falo como adepto farto de tanta aselhice.

Agora, sim, vamos ao que interessa. Não gostei mesmo nada, não é que isso tenha importância, só tem para mim, das palavras de Jorge Jesus sobre a equipa do Marítimo e sobre o seu treinador Lito Vidigal. Não gostei, pela sobranceria, pela mania de superioridade, que não é muito própria de quem pode ser superior do ponto de vista técnico, mas que deve ter a superioridade inteletual de superar essa tendência menor para o achincalhamento da pessoa, e mais grave, do profissional de futebol, seja ele qual for. Não gostei, repito, sem que isso dê ou tire o que quer que seja a Jesus, mas é a minha opinião. Não gosto de pessoas com a mania de superioridade primária. E Jesus fez tudo o que não devia fazer, com relatos de palavras dirigidas ainda no relvado, que os jornalistas ouviram, e depois na conferência de imprensa, mesmo que a equipa do Marítimo tenha desenvolvido um futebol menos ofensivo, mesmo com algum antijogo, mesmo que Jesus tivesse considerado que Vidigal não vale nada como treinador, nunca deveria ter feito as declarações que fez. Jesus está num grande clube, Jesus é treinador de um grande clube e, por isso mesmo, deve ser e demonstrar uma atitude de grande homem e grande profissional sem priorizar menoridades, sem descer de nível, sem apoucar colegas de profissão e clubes, como se se fosse Deus no Céu e Jesus na terra. O que faz uma ida ao Brasil.

Da mesma forma que sempre achei deselegante todas aquelas observações relativamente ao português utilizado por Jesus, em algumas circunstâncias, porque cada um tem a escolaridade que tem, cada um tem as fragilidades que tem, e devemos respeitar as pessoas tal como são, também agora não poderia deixar passar esta falta de respeito que Jesus demonstrou pelo Marítimo e pelo treinador Lito Vidigal, que pode não ser o melhor treinador para o Marítimo, que sempre achei não ser, como outras escolhas anteriores que só o Presidente do Marítimo é que vê, e chega, porque no Marítimo é assim, um chega e outro paga, com resultados à vista, mas é um profissional de futebol, é um treinador, que por acaso até fez algumas boas épocas noutros clubes, e está no futebol como Jesus, faz parte da comunidade futebolística, que deveria ser a primeira a fazer-se respeitar para ser respeitada.

Jesus foi campeão pelo Benfica, fez o clube praticar do melhor futebol que já se viu, tal como aconteceu quando treinou o Sporting, sem ser campeão. Foi para o Brasil e fez o Flamengo jogar um futebol atrativo, concretizador, foi campeão, ganhou a Libertadores e só perdeu o Mundial de clubes. É um grande treinador, sem dúvida. Mas o futebol, da forma como está, às vezes, faz emergir o que há de pior nas pessoas, tornando-se pior de acordo com o que elas têm para dar nessa parte.

Não gostei. Como não percebi a razão pela qual o Marítimo ainda não veio defender o seu treinador. É esta pequenez da “grandeza” de certa gente que eu também não gosto.

12 visualizações

Posts recentes

Ver tudo