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JSD-M "meteu na gaveta" os primeiros anos de história

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura


Organização de juventude social democrata madeirense aponta Miguel Sousa como primeiro presidente, em 1979. Mas na realidade, Rui Fontes foi o primeiro a liderar a "jota" ao ser eleito no primeiro congresso, em 76, onde foram aprovados os primeiros estatutos da JSD-M.







É importante que a história das instituições seja alvo de um respeito generalizado por parte dos representantes que ao longo da vivência comum partilharam lutas, projetos e objetivos que, no seu todo, permitiram construir aquilo que são hoje, o que não seria possível sem um passado que deve ser lembrado para credibilizar o presente e dar margem de ação mobilizadora para o futuro, sabendo que os líderes de hoje farão amanhã parte da história com verdade trazida pelos testemunhos e pelos factos.

Vem isto a propósito do que se passa com a história da JSD Madeira, a estrutura jovem do PSD-M, criada no tempo do PPD. Uma dissonância histórica entre o que figura nos registos partidários e a realidade, coloca a organização de juventude como tendo começado a atividade formal em 1979, quando na realidade remonta a 1976 com a realização do então denominado I Congresso Distrital da JSD-M, que aprovou os primeiros estatutos e elegeu Rui Fontes como primeiro líder, sendo que nas primeiras eleições regionais, que aconteceram antes, em junho, foi candidato eleito à Assembleia Regional, na lista social democrata em representação da JSD-M, então como organização já existente de juventude partidária, mas sem o formalismo que o congresso daria. 

Estes são factos que o partido e a jota ignoram na história publicada nas plataformas digitais, onde é referido outubro de 79 como o ponto de partida: "em 1979, tomava posse o então primeiro Presidente da Comissão Política Regional da JSD Madeira, Miguel de Sousa, ano no qual viria a decorrer o I Congresso Regional da JSD Madeira, de cariz político, organizado no Porto Santo, cuja Mesa era então presidida por João Cunha e Silva".

Pois bem, a 3 de agosto de 1976, uma terça-feira, o Diário de Noticias do Funchal, que então não se publicava à segunda-feira, reportou todos os pormenores do I Congresso da JSD-Madeira realizado no fim de semana de 31 de julho e 1 de Agosto, no Hotel Atlântis, em Água de Pena, cujo presidente da Mesa foi António Gil. Foi ali que ocorreu a eleição da lista de Rui Fontes, liderando uma equipa que tinha Cunha e Silva como número dois, além de Francisco Tiago Rodrigues, Susana Rocha, João Ornelas Carvalho, Abel Luís Rodrigues de Freitas e João Carlos Freitas Candelária. A eleição decorreu no domingo, onde foram lidas mensagens de Ornelas Camacho, de Alberto João Jardim e de Sá Carneiro. 

No discurso de posse, Rui Fontes apontou um contexto de crise, na Educação e na Economia, contra agitadores profissionais e a anarquia nas escolas, considerando urgente o reforço da autoridade democrática", apontando como linha mestra da orientação futura "uma política mais justa, mais humana, de proteção dos mais desfavorecidos".

Mas até aos registos que a JSD-M decidiu assumir como história para contar publicamente, a organização de juventude fez o seu caminho, caminhando por ajustamentos próprios da época, ajustamentos políticos e organizacionais, sendo que o II Congresso, em Novembro de 1977, permitiu uma atualizada organização interna, em que o Secretariado era a estrutura principal, com um coordenador geral (inspirado na figura de secretário-geral adotada pela JSD nacional), posição assumida por Rui Fontes, e uma Comissão Política liderada por Macedo Reis. A Mesa do Congresso era presidida por Jaime Ramos.

E foi assim até 1979/80 quando Miguel Sousa assumiu a presidência da JSD-M. O seu nome figura, ainda hoje, como o primeiro líder da JSD-M, o que, como se pode constatar, não corresponde à realidade dos acontecimentos, situação que obviamente não pode ser imputada a Miguel Sousa, em exclusivo, mas a todos os presidentes da organização social democrata de juventude. 

A dignificação das lideranças faz-se, também, pela forma como honram o passado e respeitam qa História. Sem reescrever o que está escrito.

 
 
 
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