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  • Henrique Correia

Lidl "falha" nas influências para a Cruz Vermelha e hotel de cidade pode ser solução

O vereador João Rodrigues fez saber ao grupo económico, antes da concretização do negócio, da impossibilidade do investimento no quarteirão da Madeira Wine. O Lidl avançou mesmo assim não contando com a oposição de Pedro Calado.




Há dias demos conta da surpresa que era um grupo económico como o detentor dos supermercados Lidl apostar num investimento avultado, o quarteirão da Madeira Wine, do grupo Blandy, no Largo Severiano Ferraz, conhecido Largo da Cruz Vermelha, envolvendo milhões de euros, sem ter a cerreza que podia erguer o negócio correspondente à sua area de atividade sem entraves das entidades licenciadoras, no caso a Câmara do Funchal, estando de acordo com o que permite o PDM para a zona. Era pouco credível que um investidor daquela dimensão internacional assumisse o investimento de "olhos fechados". E de facto, conseguimos apurar que isso não aconteceu e o Lidl teve algumas garantias que não resultaram.

Essa estranheza adensa-se com a posição assumida, há uns meses, pelo vereador do Urbanismo, João Rodrigues, que desde logo fez saber, à CEO do Lidl, da impossibilidade daquele investimento em função do que estabelece o Plano Diretor Municipal (PDM) e dos congestionamentos que a instalação de um hipermercado iriam provocar na zona circundante, já de si de difícil fluência de tráfego automóvel. Estranho é que essa informação do vereador, fornecida ainda antes da concretização negócio, não foi bem recebida e houve recurso do Lidl a diversos contactos com alguns empresários muito próximos do presidente da Câmara do Funchal, reunindo um conjunto de elementos que garantiam uma quase certeza que o projeto não iria ser inviabilizado assim que a compra estivesse concretizada. O que na realidade não aconteceu.

Os contactos com os grupos Blandy, vendedor, bem como com o grupo Avelino Farinha, além de algumas garantias que tanto Miguel Albuquerque como Rui Barreto iriam fazer pressão pela vertente do negócio e da criação de emprego, acabaram por esbarrar na firmeza de João Rodrigues, que para "prejuízo" destas "influências", tem uma grande relação de confiança com Pedro Calado, a que se alia o facto de João Rodrigues ser o vereador que a todo o momento "bate com a porta" sem pestanejar se vier a verificar intromissão nas suas decisões. Entre empresários e João Rodrigues, Calado ficou ao lado do seu vereador. E dizem-nos que não vai sair deste registo.

Em função deste enquadramento, o Lidl ficou com a "criança nos braços". E o recurso que fez para Pedro Calado, numa tentativa de desautorizar o vereador, não foi, ao que nos dizem, uma opção inteligente. Agora, pouco haverá a fazer sem criar problemas.

Garantem-nos que a CEO do Lidl já estará convencida da impossibilidade e todos os envolvidos sentem, de algum modo, alguma responsabilidade pelo facto do grupo chegar e assumir esta posição de "medir forças" na Câmara. Por isso, estará em cima da mesa a possibilidade do quarteirão da Madeira Wine vir a ser um hotel de cidade, sem que existam certezas, apenas ideias que já vieram para cima da mesa.

São conhecidas, também, as relações entre o grupo AFA e o grupo Blandy, recentemente através da cedência de espaço para depósitos de terras da obra do Hospital no Palheiro Golf.


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