Não é prioridade para Albuquerque mas é prioridade estratégica para Rodrigues
- Henrique Correia

- há 8 horas
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José Manuel Rodrigues: "Fui o autor da primeira Lei da Assembleia da República que estendeu às ligações marítimas o subsídio de mobilidade do transporte aéreo. Precisamente para ajudar a garantir o ferry. Já lá vão 15 anos".

É um tema recorrente a falta de ligação marítima de passageiros entre o Continente e a Madeira. Em tempos, a empresa Naviera Armas operou durante algum período, mas sem grande apoio regional acabou por abandonar o projeto, que provavelmente poderia não ser tão rentável quanto se desejaria, mas por certo a garantia de ligação poderia aconselhar a um empenho maior entre governos, mas também junto da União Europeia, no sentido de assegurar os meios necessários para termos essa ligação correspondendo ao princípio da continuidade territorial, mas também correspondendo ao princípio das garantias europeias que pudessem, de algum modo, minimizar os efeitos de aplicação dos dinheiros públicos.
Mais tarde, um acordo entre o grupo Sousa e o Governo Regional permitiu concentrar três milhões de euros de compensação para operar nesse trajeto durante três meses. Mais do que isso, não era rentável, foi essa retórica que manteve a ligação inviável, como de resto sustenta um recente relatório, que muitos dizem ter sido feito à medida, dando conta de um défice elevado de operação, o que desde logo foi corroborado por artigos de opinião, estratégicos, no sentido da mesma argumentação, como se a ligação aérea fosse garantida apenas na base no lucro. Ou como se o Lobo Marinho, no trajeto Madeira-Porto Santo, fosse operado apenas com verbas privadas e não fosse sustentado, também, com dinheiros públicos ou outras estratégias financeiras de apoio institucionais.
É verdade que uma operação do género exige ponderação, exige explicação relativamente à aplicação de dinheiros públicos. É verdade que um operador privado deve garantir um serviço e ter lucro com isso, não há milagres, nem os empresários se regem pela "caridade" nestes enquadramentos. Mas também é verdade que a continuidade territorial não pode ser aferida apenas na visão do lucro, obviamente dentro de parâmetros que se situem na realidade e no bom senso. Há um serviço público a cumprir nas ilhas, e esse serviço público tem custos lógicos pelas dimensões do mercado. Se o entendimento do serviço público assentasse no lucro e se os dinheiros públicos não servissem para apoios à Economia, nas suas variadas vertentes, praticamente não tínhamos serviços na Madeira. Não havia transporte aéreo, nem marítimo, nem terrestre, as associações fechavam todas e nem a nova prioridade, o golfe, poderia fazer o seu caminho se fosse para pagar tudo o que o Governo faz.
É preciso ter noção sobre o que se pede, é preciso definir prioridades realistas e objetivas, mas também é preciso ter noção do que se dá para garantir "lobies" e da falta de objetividade de muitos apoios que, muito provavelmente, não têm a abrangência do "ferry" de transporte de passageiros, mas com carga associada e sem limitações que não a capacidade do próprio barco.
E depois, quando Miguel Albuquerque diz que o ferry não é uma prioridade, ainda que sendo presidente do Governo possa dizer o que lhe apetece e quando lhe apetece, convinha ter lido o parecer da Secretaria da Economia, de José Manuel Rodrigues, como se sabe líder do CDS, que considerou o ferry uma "prioridade estratégica para reforçar a Integração da Região nas redes europeias de transporte, aumentar a resiliência económica e mitigar os efeitos da insularidade", ainda que diga tratar-se de uma questão a resolver pelo Estado e pela União Europeia.
Mas José Manuel Rodrigues escreveu e acabou por dizer mais do que aquilo que está escrito no seu Facebokk:
"Para avivar algumas memórias e para que não subsistam dúvidas fui o autor da primeira Lei da Assembleia da República que estendeu às ligações marítimas o subsídio de mobilidade do transporte aéreo. Precisamente para ajudar a garantir o ferry. Já lá vão 15 anos".



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