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O último dia no "Paraíso"...

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 10 de out. de 2025
  • 3 min de leitura


Terminam hoje as promessas de um mundo melhor. Neste caso, o mundo autárquico. E dizem que o voto é a voz do povo. É mais a vez, a vez do povo. A voz logo se vê...



A campanha eleitoral para as eleições autárquicas chega esta sexta-feira ao fim, vamos a votos a 12 e por isso não há tempo a perder. Mobilização de todos, quem não for visto passa a ser olhado de lado, é preciso mostrar unidade, mais do que haver unidade. É o último dia no "paraíso" de promessas em troca de um voto.

São dias de arruadas, contactos com o povo, inaugurações, não falta nem uma estrada laranja para surpreender os que dizem que já viram de tudo, são deliberações de Governo e de Câmaras com apoios e mais apoios, com prorrogações e tudo sem as complicações que só aparecem nos tempos normais, aqueles em que o voto já foi garantido. Nada a ver com as eleições, dizem, tudo a ver com as eleições, sabe-se, sempre foi assim, é assim. Nada de novo, nem na forma nem nos conteúdos. Mudam protagonistas, em parte, ficam os mesmos de outros tempos perpetuando-se no universo da Democracia muito madeirense, obviamente legitimada pelo voto popular.

Mais do mesmo, são promessas, são ajudas a tudo o que parece "mexer" e até ao que se vê que está parado, em vários sectores desde o social ao cultural, passando pelo desportivo e por todo o associativismo que de algum modo está próximo do eleitorado. Um trabalho de anos com resultados de anos.

É politicamente correto dizer que domingo é a voz do povo, como se o povo tivesse a voz que acredita ter. Mas sim, pode não ser a voz, mas é a vez do povo deixar ali o que dizem ser uma espécie de voz.

As eleições de domingo são Locais, são diferentes das Regionais, têm uma componente de proximidade e muito à volta da figura do candidato a presidente da Câmara. O eleitorado não perde tempo com o essencial, o programa, também porque os partidos praticamente não têm programa esmiuçado de forma a sabermos que sabem ao que vão. Mais metro de superfície, menos metro. Mais pavilhão, menos pavilhão, mais requalificação, menos requalificação, mais meio metro de estrada, menos meio metro de estrada, mais percentagem, menos percentagem de IRS, se formos a perguntar, hoje, a quatro dias das eleições, pouca gente se lembra do que foi dito e por quem, mais depressa atentam ao senhor mais simpático ou não, às vezes um abraço e um beijinho, de caneta na mão, são atos que dão mais votos do que alguma obra ou algum imposto retirado. E se Albuquerque aparecer, para muitos, chega tocar no casaco. Não é puxar pelo casaco, isso tem uma conotação popular de quem deve qualquer coisa, é tocar mesmo, num dia bom ainda falam nisso no dia seguinte como aquela reação de "já ganhei o dia". O partido é um clube, o líder é o dono do clube. Há meios com especificidades muito próprias. Foi acontecendo.

O processo à volta das eleições é, todo ele, muito particular na Madeira. Há nos outros lados, mas num meio pequeno é mais visível, há maior envolvimento de estruturas locais, apoiadas fortemente pelo Poder Regional, e cuja influência indireta, mas tantas vezes direta, pode resultar numa mais valia no objetivo. A influência das influências locais é muito forte e determinante para quem é Poder, muito difícil para quem faz oposição, ainda por cima se for uma oposição para quem o poder, nas mãos, parece aquecer tanto que a queda acaba por ser inevitável. Tem acontecido isso particularmente com o PS, que assim abriu espaço ao JPP E ao CHEGA. E pensar que venceu a Câmara do Funchal, então com todo o mérito, o líder que trouxe o PS ao patamar atual, de quase afundamento, parece quase impossível. Mas aconteceu.

Mas apesar de tudo, o Poder Local tem sido o centro da alternância democrática na Região, o que na verdade permitiu liderança a PS, CDS e JPP em Autarquias que foram do PSD, em Machico, Santa Cruz, Porto Moniz, Ponta do Sol, sendo que em 2021 o PSD recuperou o Funchal com Pedro Calado.

Num contexto regional em que o excesso de poder foi confundido com défice democrático, pode dizer-se que a oposição teve, num determinado contexto, oportunidade de mostrar trabalho além do PSD, cuja máquina quase que anda por si própria. A questão é que, neste quadro, a oposição não pode dar um milímetro de erro, tem de ser perfeita e escolher bem os candidatos.

Se a oposição não marcar a diferença nas escolhas e der "tiros nos pés", o eleitorado vai sempre optar pelo princípio: para pior, está bem assim.











 
 
 

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