Partidos pouco "jotas"
- Henrique Correia

- 1 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Estão ali, mas verdadeiramente nunca estão. Nem estão os que não têm mesmo condições para estar, nem estão os outros, os que tendo algumas capacidades, ficam integrados numa máquina que quase nunca decide pela qualidade.

As "jotas" dos partidos tentam chegar ao topo.
Já muito fastidioso e recorrentemente ineficaz tem sido o debate sobre a participação ativa dos jovens na política, quer na mera expressão do voto, no direito à participação, mas também na atividade partidária cuja escola poderá conduzir à preparação de quadros futuros dos partidos. Um debate que vai continuar a acontecer e que não terá grandes conclusões além daquelas que há anos conseguimos tirar de uma prática seguida pelos partidos, que não só não conseguem reunir os melhores, mas enfrentam resistências internas que têm contribuído para que as "jotas" tenham um grande papel nas festas, nos comícios, onde muitas bandeiras parecem muita mobilização, ou quando os políticos "seniores" recorrem a essas bandeiras para criarem a ideia que estão muito preocupados com a juventude e com os quadros jovens do seu próprio universo partidário. Não estão, na prática não estão. E além disso, as juventudes partidárias, já de si pouco apelativas em termos de recrutamento e muito fechadas pelo enquadramento de "recrutas familiares", como que uma sucessão de pais para filhos e agora já para netos, fecham-se num núcleo que não chama a dita "sociedade civil" e fomentam a ideia da "jota" como a antecâmara de cargo políticos, circunscritos ao líder e a meia dúzia, ou noutros casos, à maior probabilidade no mercado de emprego, sobretudo o oficial, cujos departamentos ficam mais confortáveis se o recrutamento for feito em "bases" da mesma cor política.
É verdade que as jotas sofrem de um grave problema que afeta a política na generalidade, faltam quadros de qualidade, mesmo na Região já teve melhor "escola", no caso do PSD desde Miguel Sousa a Miguel Albuquerque passando por Cunha e Silva, Jaime Filipe Ramos, entre outros de menor percurso político, com Bruno Melim a dar nas vistas ultimamente (vai este fim de semana para renovação de mandato na JSD-M), mas além dos quadros, os partidos podem dizer o que disserem, não querem saber das "jotas" além do trabalho menor Estão ali, mas verdadeiramente nunca estão. Nem estão os que não têm mesmo condições para estar, nem estão os outros, os que tendo capacidades, ficam integrados numa máquina que quase nunca decide pela qualidade mas sim pela conveniência que os "boys" garantem e que os bons não aguentam pelo temor de concorrência que provocam na faixa que os partidos têm e que se julga eterna, imortal. Por isso é que os bons são bons noutros lados e os "boys" só são "boys" nos partidos. Salvo as devidas exceções que confirmam a regra.
Por isso, num contexto em que a JSD Madeira está em congresso, mas a partir daí extrapolando para todos os partidos, e num momento em que o líder da JSD-M diz que a "sua" Juventude está preparada para integrar os quadros políticos do futuro, fica sempre a dúvida se o partido estará preparado e se essa perceção do líder já estará, por defeito, nivelada por baixo.
Vamos ver se alguma coisa muda, mas desta vez para não deixar tudo na mesma.



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