Planear o Funchal: Albuquerque publicou um livro e aplicou nada
- Henrique Correia

- há 2 dias
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Luís Vilhena aborda construção em altura proposta por Albuquerque: "Que ideia de transformação da paisagem urbana e rural tem sustentado o desenvolvimento da Madeira e Porto Santo nos últimos 50 anos? Nenhuma. Ou, a haver, ela é errática"

"Se a ideia fosse a de concentrar a construção em novas zonas de expansão dos núcleos urbanos como o Funchal, "não me pareceria mal".
Luís Vilhena é um conhecido arquiteto madeirense, com uma incursão pela política quando assumiu lugar no Parlamento Nacional eleito na lista do PS-Madeira. Tecnicamente conhecedor do seu meio, com legitimidade opinativa sobre a construção em altura, também com conhecimento relativamente à forma como a política madeirense se mobiliza no terreno e na forma como se exerce o Poder na Região.
E com uma posição clara sobre a Madeira no domínio da gestão do território: "Nunca houve, nos últimos 50 anos, uma ideia forte, clara e compreensível por toda a gente, de como se devia ir fazendo a transformação do território".
Luís Vilhena questiona: "Que ideia é esta agora de avançar com a construção de torres na Madeira no contexto de uma conferência sobre habitação, como panaceia para resolver a crise habitacional que se vem revelando nos últimos anos?"
O arquiteto madeirense diz que "a base que sustenta esta proposta é perigosa e desprovida de sentido. Sobretudo por não ser enquadrada em nenhuma visão global de desenvolvimento e transformação deste território insular.
E esse é busílis da questão. Que ideia de transformação da paisagem urbana e rural tem sustentado o desenvolvimento da Madeira e Porto Santo nos últimos 50 anos. Nenhuma. Ou, a haver, ela é errática, não é clara e, obviamente, não produziu bons resultados".
Por falta de estudos e planificação, acredita que vai ficar tudo na mesma. Na mesma, como quem diz: "Era necessário que o governo e os municípios estivessem genuinamente interessados em debater estes temas do desenvolvimento do território. Por isso o mais certo é que continue tudo na mesma e comecem a aparecer por aí umas torres de vinte e tal pisos à vontade do freguês".
Luís Vilhena diz que se a ideia fosse a de concentrar a construção em novas zonas de expansão dos núcleos urbanos como o Funchal, "não me pareceria mal. A ideia de concentrar a construção está correta. Assim acontecendo, as zonas urbanas poupam em infraestruturas públicas, proporcionam urbanidade e estabelecem condições para uma harmonia entre as partes de um determinado núcleo urbano podendo assim criar-se um bom habitat urbano enquanto se preserva a paisagem rural.
O arquiteto não tem dúvidas: no tempo de Jardim não houve planeamento e o desenvolvimento urbanístico foi caótico e especulativo, a paisagem rural perdeu as suas características, a sua escala, a sua graça. Os núcleos urbanos continuaram a diluir-se pela paisagem rural, sem criar urbanidade, com custos imensos para o erário público que paga de uma forma invisível, sem dar conta, as infraestruturas de um povoamento disperso.
Depois vem Albuquerque que, no início do seu mandato à frente da Câmara do Funchal, escreveu um pequeno livro sobre a cidade, planeamento territorial e política local. ‘Funchal, sobre a cidade’ e tem lá quase tudo aquilo que ele poderia ter feito e nunca fez". Nos programas de Governo, igual, escreveu coisas bonitas e nunca aplicadas.



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