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Porto Santo: sem ambição, liderança bicéfala, serviços no desenrasque

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
há 2 horas
2 min de leitura

Miguel Sousa "arrasa" atitude, estratégia, serviços e custos na ilha. E estranha falta de empenho em haver navio em janeiro. Um cenario "negro" numa ilha dourada.





O antigo vice presidente da Assembleia Regional e do Governo Regional, Miguel Sousa, empresário, tem criticado a forma desordenada, no seu entender, como o Porto Santo se posiciona na qualidade de destino turístico. Uma crítica que endureceu na sua última publicação no Diário, onde "varreu" de uma ponta a outra, do ponto de vista político, empresarial, também dos porto-santenses que se deixam ficar numa mediania e cujos serviços só não fecham porque têm trabalhadores estrangeiros.

Miguel Sousa faz declarações arrasadoras para o exercício político, do Poder Local, que diz estar a ser exercido por duas cabeças, diz que "o maior ponto fraco é a liderança política", naturalmente se referindo a Nuno Batista. Mas com um "recado" direto, dito de forma indireta: o Porto Santo é o único concelho da Região Autónoma da Madeira com uma liderança política bicéfala. Um eleito, o outro nomeado. Tudo com receio de campos políticos opostos. No Porto Santo e no Funchal, no Governo ou na Câmara. O povo elege um entre os seus cidadãos enquanto a Madeira nomeia um para representante do poder "colonial". O seu papel não se confunde. Ainda que possa ser do mesmo partido. O que acontece é que do mesmo partido ou de partidos diferentes, acabam sempre de costas voltadas. Nada disto é bom para o Porto Santo.

Miguel Sousa define um cenário negativo, preocupante mesmo. Não há ambição local, os locais fazem pouco ou nada para mudar e acham que os visitantes não merecem mais. Poucos restaurantes satisfazem a clientela, os hotéis são caros e a exceção, para fora, é o campo de golfe, até os grandes investimentos são de empresários de fora, o mesmo acontece com iniciativas diversas, raramente impulsionadas localmente.

As obras são feitas sem critério, sem estratégia, centralizadas nos meses de maior turismo, suplício na circulação, na simples ida ao supermercado, com falta de produtos e tudo caro.

E no meio deste arraso, nem as ligações marítimas escapam, designadamente a inexistência do barco em janeiro. Exemplifica, com ironia: já viram o que seria fechar o túnel do Caniçal durante mês e meio? Uma alusão ao mês e meio que o Lobo Marinho vai para manutenção, em Janeiro. "Ainda não percebi a teimosia política em não providenciar navio substituto nas ausências do Lobo Marinho. É estranho contrariar o insistente apelo local para ter sempre navio. Porventura é preciso dispensar o apoio financeiro a essa ambição".

Mas atenção, diz Miguel Sousa, a "excelência é global, não podemos querer o navio e depois ter tudo desprezado e fechado. Faz parte de uma vontade coletiva, que não existe. De um compromisso inexistente. Como o ferry que todos querem mas poucos viajam".

 
 
 

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