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  • Henrique Correia

Raimundo Quintal apela à população: ao mínimo sinal alertem a Proteção Civil



"Infelizmente, continuam a existir criminosos à espreita de condições favoráveis para atear fogo e assistir sorrateiramente à destruição das florestas".



Imagens Facebook Raimundo Quintal


Se há figuras emblemáticas da defesa ambiental, na Madeira, uma será certamente Raimundo Quintal, investigador, impulsionador da Associação Amigos do Parque Ecológico, que não ficou indiferente às previsões de altas temperaturas, para os próximos dias, num momento em que passam, hoje, onze anos do incêndio que "na madrugada de 14 de Agosto de 2010, foi ateado por um criminoso e destruiu cerca de 90% da vegetação do Parque Ecológico do Funchal e do Maciço Montanhoso Central da Ilha da Madeira".

Raimundo Quintal escreve que "muito pouco escapou nas áreas plantadas pelos voluntários da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal na extremidade mais alta do Parque (1750 - 1800 metros de altitude) e na Achada Grande (1550 metros de altitude).

O Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha (1500- 1550 metros de altitude), propriedade da AAPEF com 5,4 ha, também ficou reduzido a cinzas. O fogo impelido pelo vento com velocidade superior a 100 km/hora atravessou aceiros, voou sobre a grande clareira e atrasou completamente a pequena casa da Associação".

Diz o investigador, professor e antigo vereador do Funchal, com o pelouro do Ambiente, que "as primeiras horas foram de enorme tristeza, de desânimo. Mas passados poucos dias, voltámos a subir até à serra e começámos a retirar os esqueletos calcinados de árvores e arbustos, colocando-os ao longo das curvas de nível com objectivo de minimizar a erosão nas primeiras chuvas e criar algum solo para reiniciar a plantação de espécies indígenas e endémicas.

Foi duro, por vezes doloroso, o trabalho nos primeiros meses depois da catástrofe.

Em Janeiro de 2011, ainda com muito por limpar, iniciámos as plantações. Daí para cá temos, persistentemente, ajudado os ecossistemas a recuperar a biodiversidade e beleza primitivas"

Onze anos depois da tragédia, refere Raimundo Quintal, "os resultados estão à vista nas áreas do Parque Ecológico que assumimos a responsabilidade de restaurar e no nosso Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha".

E neste contexto que lança um apelo para a atualidade e estes dias de previsível intenso calor: "As previsões meteorológicas para os próximos dias - altas temperaturas, baixa humidade relativa e vento moderado - deixam-nos apreensivos, porque, infelizmente, continuam a existir criminosos à espreita de condições favoráveis para atear fogo e assistir sorrateiramente à destruição das florestas.

Temos de ficar vigilantes e ao mínimo sinal de fumo devemos alertar sem demoras a Proteção Civil.

Todos os madeirenses que amam a sua Ilha, independentemente das simpatias partidárias e dos credos religiosos, têm o dever de se unirem na defesa do nosso património natural".



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