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  • Henrique Correia

Ricardo Vieira demolidor para os 30 mil de Barreto: "Para fugir à lei, sujou-se as mãos"


"Há uma falta de conhecimento e até falta consciência das suas responsabilidades, que a meu ver é preocupante"




Os trinta mil euros que Rui Barreto e mais alguns militantes do CDS Madeira receberam nas suas contas, em parcelas inferiores a 5 mil euros, no âmbito de um empréstimo, antes das eleições regionais de 2019, que só foi pago depois da reportagem da SIC dando conta do expediente utilizado, ainda vão dar muito que falar e foram alvo de abordagem no programa da TSF "Debate da Semana", com Ricardo Vieira, Miguel Sousa e António Trindade. E o que ali se disse não foi nada "meigo" para Barreto.

Claro que a opinião de Ricardo Vieira, por ter sido líder do CDS, assume-se como tendo o impacto maior. Não consegue ser deselegante pelos anos e "sapiência" no uso das palavras, e por isso mesmo, sem ser preciso falar muito, foi demolidor para Rui Barreto: "Para fugir à lei do financiamento dos partidos, sujou-se as mãos com este expediente", sem apontar diretamente qualquer ilegalidade do ato em si, mas o mesmo não podendo dizer da omissão, na declaração ao Tribunal Constitucional, do referido empréstimo. Lembrou uma situação parecida que aconteceu com Carlos Pereira, quando era vereador no Funchal, que acabou por perder o mandato. "Espero que não existam consequências, mas estas coisas são rigorosas".

Ricardo Vieira disse que, neste processo envolvendo Rui Barreto, "há uma falta de conhecimento e até falta consciência das suas responsabilidades, que a meu ver é preocupante. Quem desempenha cargos, nos partidos e nos governos, deve ter um cuidado acrescido com estas situações, saber exactamente o que faz e o que diz. Não houve cuidado, pelo menos por aquilo que sabe, e sabe-se pouco".

O agora comentador defendeu uma outra lei de financiamento dos partidos como forma de evitar estes casos. É de opinião que esse financiamento deveria ser ser assegurado pelo Estado, o que retirava qualquer dívida sobre a origem das verbas recebidas através destes expedientes.

Não partilha, por isso, da opinião de Alberto João Jardim, o ex-presidente do Governo, que esta semana, em declarações à RádioJM, defendeu que o financiamento deveria ser livre, quem quisesse dava: "Cada um dava o que queria a quem quisesse. Como é que se evitavam jogadas por trás? Era obrigatório, fosse um cêntimo ou fosse um milhão, que toda e qualquer doação a um partido ou a figuras dos partidos políticos, fosse publicada num jornal de dimensão nacional"

Ricardo Vieira diz, por entre risos de Miguel Sousa, que íamos mesmo ver o que essa fórmula ia resultar para os partidos da oposição, recebendo verbas de pessoas que têm negócios com o Governo.

Ricardo Vieira deixou, ainda, uma outra observação: "Achei curioso o senhor presidente do Governo vir dar confiança política a um secretário indicado pelo CDS. E depois, esse mesmo secretário, após uma comissão política do CDS, vir dizer que tem a confiança política do presidente do Governo que é de outro partido. Nesta Região tudo se passa".

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