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Serviram a Autonomia ou alguns ganharam com a Autonomia?

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
há 30 minutos
2 min de leitura

"Fontes" políticas põem em causa o processo que conduziu à atribuição de Insígnias dos 50 anos da Autonomia, que em sua opinião deixou de fora muitas personalidades e distinguiu algumas que deixam dúvidas.






A recente atribuição de Insígnias de Prestígio, na Região, alusivas aos 50 anos da Autonomia, está longe de ser pacífica, muito pelo contrário. A começar pelo número, 78, poderiam ser 50, 80 ou 100. Ninguém sabe os critérios que levaram ao número, ninguém sabe os critérios que levaram a alguns nomes, quer de instituições, quer de partidos.

Numa primeira avaliação, é de crer que a lista tenha sido elaborada pela Comissão para as comemorações dos 50 anos da Autonomia, sendo muito provável e quase certo que houve consulta ao topo institucional da Região, visando escolher, ao que se sabe muito em cima do joelho, um conjunto de personalidades e instituições que ao longo destes 50 anos marcaram a Autonomia.

Várias "fontes" que nos contactaram interrogam-se sobre se a nomeação de partidos da Autonomia deveria obedecer, como aconteceu, ao critério atual de composição parlamentar, uma vez que, independentemente da questão partidária, a Autonomia foi além dos partidos que actualmente estão representados. Por muita divergência de entendimento relativamente a quem verdadeiramente lutou pela Autonomia. Uma coisa é a luta, outra é a composição parlamentar e o debate democrático com todos. Não um "dono" da Autonomia, há um processo democrático, que a Madeira escolheu, e que deu o que deu em 76, como deu o que deu hoje, passados 50 anos do processo.

As mesmas "fontes", algumas ligadas ao partido do Governo, têm mesmo dúvidas sobre se estas Insígnias foram atribuídas a quem fez ou ajudou a Autonomia ou a quem ganhou com a Autonomia, numa alusão a distinções que porventura estão longe de serem beneficiado relativamente a outras que bem deveriam figurar na lista e que foram relegadas para um plano secundário, como a título de exemplo uma das "fontes" apontou o primeiro deputado do Porto Santo, Cândido Pereira. Um exemplo entre muitos.

Se há figuras indiscutíveis, que geram unanimidades, como os presidentes do Governo e da Assembleia, além de Guilherme Silva, Virgílio Pereira, Ronaldo, e muitos outros, existem outras figuras distinguidas que provocaram algum "incómodo" no próprio PSD-M, inclusive nos domínios político, empresarial e associativo, demonstrando que todo o processo que levou à cerimónia não foi preparado convenientemente. E sobretudo abrangente.

Seja como for, é evidente que um momento de escolhas de pessoas conduz sempre a divergências, internas e públicas. A atribuição de Insígnias não escapou a este registo, apesar de haver aspetos que provavelmente poderiam ter sido conduzidos de outra forma, sobretudo porque só há uma vez a comemoração dos 50 da Autonomia e esta merecia uma avaliação que fosse além da média de 1,56 condecorados por ano de Autonomia.

Paralelamente a esta reflexão, seria importante que a Autonomia, tão grande como a Madeira, não expressasse reconhecimento e mérito a partes da Madeira. Os partidos passam, a Madeira e Autonomia hão-de ficar.

A Autonomia foi construída, também, por gente sem Insígnia.



 
 
 

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