top of page

Sérgio "baralha" e dá de novo: a comissão disse o que a maioria quis

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 17 de mai. de 2023
  • 3 min de leitura


"A política de obras públicas do primeiro governo de Miguel Albuquerque não interessava ao grupo AFA e ao senhor Avelino. Não posso provar, mas posso dar a opinião".





Sérgio Marques, o antigo secretário regional responsável pelo setor das obras públicas no governo de Miguel Albuquerque, deitou a "bomba" numa entrevista ao DN Lisboa quando afirmou, em off e o jornalista colocou em on, que havia favorecimentos do Governo Regional a empresários e a existência de obras "inventadas", ou seja não eram necessárias. Os empresários alvo são Luís Miguel Sousa e Avelino Farinha.

Ora bem, foi o suficiente para criar um problema no PSD, no Governo e entre pares diretos, além do universo empresarial "atacado". Passou de vip a persona mom grata num abrir e fechar de olhos, renunciou ao lugar de deputado à Assembleia da República e dos órgãos do partido. Seguiu-se uma comissão de inquérito com três pessoas ouvidas, um absurdo para uns, pela escassez de depoimentos tal a importância do assunto, o suficiente para outros, sendo que uns são da oposição, insatisfeita, e outros o PSD, satisfeito com o que agendou, com o que ouviu e com o relatório.

Na comissão parlamentar de inquérito, Sérgio Marques não fundamentou nada, disse que as suas declarações bombásticas não tinham "pólvora" e eram apenas opiniões. Insinuou, sabemos que sabe mais do que disse, mas deixou tudo no ar sem precisar o concreto. Os empresários Avelino Farinha e Luís Miguel Sousa também negaram favorecimento, o que seria mais do que natural. E fizeram mais do que isso: desancaram em Sérgio Marques "sem dó nem piedade". Resultado: a comissão concluiu que não houve favorecimentos, o óbvio face aos mecanismos. Sérgio foi à vida e políticamente, no PSD, ou faz a "travessia no deserto" ou "desaparece".

Mas não demorou muito a que fosse entrevistado, no momento em que a Comissão decide nada haver a registar. Foi na RTP-Madeira. E logo a abrir, um "toque" de dúvidas sobre a credibilidade do relatório. "Era expectável atendendo à perspetiva da maiori. As conclusões resultam da correlação de forças na Assembleia Regional. O PSD tem a maioria e é natural que a perspetiva da maioria tenha imperado. Na Assembleia da República, o Partido Socialista tem recusado várias audições porque tem maioria, impera a sua vontade".

O que quer Sérgio Marques dizer com isto? Que o PSD orientou a comissão como quis, chamou quem quis para não ter problemas e por ter maioria concluiu o que quis não se podendo concluir exatamente que não houve favorecimento?

O antigo secretário disse, ao jornalista Paulo Santos, que "mais importante do que as conclusões foi a oportunidade de se debater o assunto e ter havido a comissão. Houve o exercício de escrutínio do Governo por parte da Assembleia. E isso foi conseguido. Não me compete dizer se foi suficiente ouvir três pessoas, privilegio o debate. Na minha participação, tive o cuidado de não retirar uma virgula à entrevista ao DN Lisboa".

Se não retira uma vírgula às declarações ao DN Lisboa e disse no Parlamento que eram só opiniões, então o que faltou para o relatório concluir de forma diferente? Ouvir mais pessoas? Sérgio Marques diz: "Talvez, admito que sim". Mas reforça: "É o jogo de forças, há imposição da vontade da maioria".

Disse o que queria dizer ao DN Lisboa? - questionou o jornalista da RTP-M. Sérgio responde: "Assumo as responsabilidades. É o que penso e já tinha dito antes". O jornalista não percebe, como ninguém percebe. Se o que pensa é isso, porquê querer dizer em off ao jornalista do DN Lisboa? Sérgio baralha e dá de novo. Pensa isso mas queria mandar a responsabilidade para o jornalista. Ou seja, com base em fontes, o jornalista assumia um pensamento e Sérgio Marques "escondia-se" atrás disso. Esclarecedor.

Sérgio fala da sua saída do Governo. "Não faria sentido ficar no Governo deixando de ser número dois e com a entrada de um vice" E houve mão dos empresários?

"A política de obras públicas do primeiro governo de Miguel Albuquerque não interessava ao grupo AFA e ao senhor Avelino. Não posso provar, mas posso dar a opinião".

Relativamente à militância no PSD, Sérgio diz ter "casca dura". Não sai da militância. "As minhas declarações podem ser um abanão para o partido. Agora, quero recato". E o PSD-M? "Falta renovação, só vencemos em 2025 porque levantámos a bandeira da renovação. Ainda tenho levantada, não sei se sou o único..."

Conclusão: o que disse Sérgio Marques à RTP Madeira foi mais importante e incisivo do que o fez na comissão. Com estas declarações, é dificil de perceber o que conclui a comissão, mas o que conta é o que disse na comissão. Foi Sérgio com "uma no cravo, outra na ferradura".


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
white.png
© Designed by Teresa Correia
bottom of page