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O Futebol manda mais: "Um homem/20 votos"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
7 de out. de 2021
2 min de leitura

A diferença entre os sócios deveria estar nos preços das quotas, nos descontos, nos acessos a serviços, na distinção através de mecanismos adotados pelos clubes, mas nunca pelo voto.




O futebol é realmente um caso à parte. Tambem gosto muito, claro que gosto muito mais do futebol do que do caso à parte. Há o mundo do comum dos mortais, há regras, há democracia, há o exercício do voto para a eleição do Presidente da República, da Assembleia da República, das Assembleias Regionais e dos órgãos Locais. E depois há o futebol, com uma justiça desportiva e uma eleição dos corpos sociais com tal originalidade que 1 associado "idoso" pode valer por 20 "jovens", em muitos estatutos, como parece ser o caso do Marítimo. Um candidato que tenha 200 jovens, com mais de um ano e até dois anos de associado, pode ser derrotado por 10 sócios com mais de 20 anos e ainda dá de "barato" colocando um jovem de um voto para desempatar.

Apesar de se aproximar o ato eleitoral para o Marítimo, desta vez com dois candidatos mas já se percebeu o incómodo, pelo que vai de notícias nos jornais, sendo que a conjuntura ajuda a refletir, esta realidade não tem exclusivamente a ver com o Marítimo, faz parte dos estatutos, é assim nos clubes de futebol, é norma aceite por todos como se se tratasse de uma situação normal. E não é. Um homem, um voto, será sempre, até prova em contrário, o melhor método, mais justo, mais transparente, menos suscetível de manipulação. E nem preciso dizer porquê, todos sabemos porquê. Devia ser bonito, na política, claro está com algum exagero e ironia à mistura, se os votantes "residentes", que votam nos mesmos

desde que há memória do voto, valessem cono sócios do partido e cada um valesse 20 votos. Era melhor fechar a democracia, não por seis meses como sugeriu em tempos Manuela Ferreira Leite, mas por uns anos e gerações depois.

Um sócio de 20 anos é igual a um sócio com mais de um ano, e até poderia o voto apenas ser possível dois anos depois de se associar que não chocava. Agora, este disparatado expediente traz tudo menos transparência. A diferença entre os sócios deveria estar nos preços das quotas, nos descontos, nos acessos a serviços, na distinção através de mecanismos adotados pelos clubes, mas nunca pelo voto, não é democrático e chega a ser perigoso, como tanto o futebol gosta de ser. Exigente, perigoso e imune a tanta coisa.

Mas é claro que ninguém pretende levantar uma reflexão destas. O futebol é de massas e as massas movem-se tantas vezes pela demagogia, o coração manda mais do que a cabeça e o que está, está, não se mexe mais, sobretudo se for para manter as influências que o futebol conhece, ainda que não tenha essa exclusividade. Mas tem alguma e muito específica.

É por estas e por outras que as situações e as pessoas se eternizam perante estatutos que "trancam" os novos tempos e artifícios que não são apelativos a novas gerações.1









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