ÉPOCA HISTÓRICA: CS MARÍTIMO 1976/1977
Prosseguimos com a publicação da histórica primeira subida do Marítimo à I Divisão.

Prosseguimos, neste espaço, com a publicação de um trabalho de pesquisa, da autoria do jornalista Duarte Azevedo, O ALERTA DA inicia relativo à época (mais) histórica do futebol madeirense: 1976/1977. A época na qual o Club Sport Marítimo iria conquistar o direito a estar no principal patamar do futebol português. Feito até então inédito.
Um acompanhamento por aqui feito, recordando as notícias, as reportagens, as crónicas de então. Dia a dia, se for caso disso, semana a semana, jogo a jogo.
Afinal, estamos a lembrar a temporada mais significativa do futebol da Madeira!
CS MARÍTIMO 1976/1977 (15): MADEIRENSE CARLOS DO ROSÁRIO TREINA COM PEDRO GOMES MAS... ASSINOU PELO FAMALICÃO

O 'central' madeirense Carlos está a gerar um 'caso' no seio do futebol do CS Marítimo. Jogador originário do CF União, alinhou pelo Famalicão quando cumpria o serviço militar, ingressou no clube verde-rubro e quando tudo fazia prever que continuaria, veio a informação: Carlos vai jogar, de novo, no Famalicão. Isto apesar de ter feito o estágio que os maritimistas realizaram em Machico.
No regresso ao Funchal o jogador continuou a treinar sob as ordens de Pedro Gomes e, inclusive, esteve na sede do clube a receber o dinheiro das chamadas 'luvas'.
No entanto, ao CS Marítimo chegou, via AFF, a informação de que Carlos do Rosário havia assinado pelo Famalicão para esta época de 1976/1977. Para surpresa dos seus responsáveis.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (16): ARNALDO SILVA LESIONADO COM ALGUMA GRAVIDADE

Ainda em tempo de pré-temporada, o CS Marítimo 1976/77 já tem um contratempo no seu plantel: a lesão de Arnaldo Silva.
Num primeiro diagnóstico, o avançado contratado ao Esperança de Lagos acusa uma rotura de ligamentos o que o obrigará a uma paragem ainda por tempo não definido.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (17): TININHO - NASCIDO EM SÃO JORGE, COMEÇA NA 'MERGULHANÇA', PASSA PELO BOM SUCESSO, VAI AO PORTO E SÓ É FUTEBOLISTA PROFISSIONAL AOS 22 ANOS DEPOIS DE TER SIDO PINTOR E PASTELEIRO

Uma das 'armas' do CS Marítimo 1976/1977 para 'atacar' a subida de Divisão é Tininho.
António Egídio Fernandes, nascido há 22 anos [22-11-1953] em São Jorge, conta que "aos 7 anos, depois do meu pai falecer acidentalmente, eu, os meus irmãos e a minha mãe viemos viver para o Funchal" onde começou a trabalhar "aos 11 anos, depois de feita a 4ª classe". Os pontapés na bola eram dados "no rinque de hóquei do Liceu" mas, aos 12 anos, "estava a ver um jogo de futebol no Almirante Reis e como faltava um jogador, um que já me conhecia, pediu-me para jogar". "Era na equipa da Mergulhança e quando acabou o jogo assinei. No ano seguinte joguei no Vitória de Setúbal e no Benfica, sempre no torneio infantil, e com 13 anos inscrevi-me no Marítimo".
Mas Tininho não ficou: "Como havia muitos jogadores, um indivíduo convidou-me para o Bom Sucesso e aos 14 anos já jogava nos juvenis e nos juniores". "Aos 17 anos tive convites de várias equipas do continente - Benfica, Sporting, Porto, Académica... -, preferi o Porto e fui para o Norte", continua a historiar. "Queriam que eu ficasse a treinar de Abril a Setembro sem ganhar mas como tinha o encargo de trabalhar para a minha mãe e um irmão que estava na tropa, tive que regressar à Madeira". Foi então que Tininho voltou a assinar pelo Marítimo: "Recebi 5 contos e o Bom Sucesso 7 mil e quinhentos escudos". Ainda júnior, fazendo 30 golos em 12 jogos, sobe à primeira categoria, estreando-se frente ao Nacional.
Depois houve um período de impasse, quando o clube se recusou a lhe pagar 500 escudos. Após três meses de inatividade lá assinou "um contrato baixo". Paralelamente deixa a profissão de pintor de automóveis e passa a pasteleiro numa unidade hoteleira, dos 19 aos 21 anos. De ano para ano o ordenado foi subindo e na primeira época de Pedro Gomes como treinador, e por indicação deste, passou a receber dois mil escudos mensais. Valor acrescido, na época de 1975/76, por 1 500 escudos para alimentação e prémios de jogo. Para esta temporada de 1976/77, apesar de não vir de uma boa época, as condições melhoraram e Tininho assinou contrato de futebolista profissional por 3 anos, não acedendo a um convite do Belenenses.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (18): CHICO FRACTURA O BRAÇO

O CS Marítimo continua a preparar a época 1976/77, numa perspetiva de lutar pela subida à I Divisão Nacional. Pelo caminho, obviamente, alguns obstáculos. e no que toca a lesões de jogadores, nota para o facto de Chico, o valoroso extremo que se iniciou no Juventude AC, ter fraturado o braço esquerdo. Foi no treino matinal tendo sido de imediato transportado ao hospital. O técnico Pedro Gomes esteve sempre presente.
A previsão é de que Chico fique parado por três semanas.
CS MARÍTIMO 1976/1977 (19): O REGRESSO DE NELSON 'DONO DE UMA SAPATARIA' E PREPARADO PARA SER O CÉREBRO DA EQUIPA

Aos 15 anos de idade protagoniza uma situação polémica ao deixar o CS Marítimo, viajando para Lisboa onde iria representar o SL Benfica. Agora regressa ao clube verde-rubro já, depois, também, de ter representado (com sucesso) o Sporting CP. 'Quando fui ao Funchal para a festa do Emanuel, acordei com o clube o meu regresso ao Marítimo e, então, comecei a preparar tudo para voltar, até montei uma sapataria na Rua Fernão de Ornelas'.
A verdade é que Nelson vai jogar na II Divisão depois de várias épocas no escalão principal. 'Sei o bastante para não me atrapalhar, um bom jogador joga em que divisão for', comenta, admitindo sentir-se 'apto para ser o cérebro da equipa' do Marítimo, a qual, diz, 'tem jogadores com valor para levar o clube à I Divisão'. Confia, também, no técnico 'Pedro Gomes, que foi meu colega na equipa do Sporting'.



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