A Democracia não é isto...
- Henrique Correia

- 12 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Devemos ser exigente para os políticos, mas também para os cidadãos. E para a juventude, em particular, devemos passar valores de formação pessoal e democrática. Não é nada disto. Isto é um caso de polícia.


O politicamente correto tem aconselhado a posições moderadas sobre coisas que têm pouco a ver com a Democracia tal qual a entendemos de respeito pelas diferenças, do protesto cívico assente nos vários pontos de vista, firme mas pacifico, do debate de ideias e, através dele, das escolhas livres e respeitáveis dentro dos princípios da liberdade de opinar e decidir no pressuposto que a liberdade de uns acaba quando começa a dos outros.
Aceitar a Democracia permitindo atitudes antidemocráticas é legitimar uma sociedade sem valores, sem regras, sem futuro. Não há excepções, a Democracia é de todos mas para todos, não há intocáveis, por muito valor que as reivindicações tenham para o todo ou para a parte. Nada justifica a falta de respeito e de educação.
O que se passou com o líder da Iniciativa Liberal Rui Rocha, e que até já aconteceu com o líder do PSD Luís Montenegro, atingidos com tinta por um grupo dito de ativistas, é a antítese do espírito democrático, é uma atitude reprovável, é a falta de consistência no crescimento enquanto sociedade livre, é um retrocesso na nossa vida democrática e de um legado geracional que nos deve preocupar, mesmo com a devida salvaguarda de não generalizar comportamentos completamente desfasados daquela que deve ser a nossa construção do futuro em Democracia.
O politicamente correto, na sociedade em que nos tornamos, nem sei bem quando isto começou, mas foi certamente com permissividade, com medo, em parte com um vazio que nos "assalta" todos os dias, acabou por dominar a nossa vida. O protesto destes "jovens ativistas", completamente à margem da boa educação e da lei, não pode ser observado por si só, isoladamente, por muito que se procure explicar ou menorizar a atitude com o valor daquilo que defendem e que seria legítimo desde que respeitando as regras de um Estado de Direito.
O politicamente correto em que nos tornamos, a irracionalidade de algum conteúdo das redes sociais, a dificuldade que temos, hoje, em destrinçar o certo do errado, o bom do mau, a defesa de princípios com o protesto gratuito, envolve-nos a todos num grau de responsabilidade que obriga a um debate alargado sobre o que temos e se é isto que queremos, se queremos um futuro de conteúdo ou um futuro de tinta atirada à cara das pessoas sem quaisquer consequências a pretexto da irreverência da juventude na defesa dos seus pontos de vista. Com uma confusão tremenda da palavra e do conceito de irreverência, a que provavelmente a minha geração, no íntimo das mesas de café, também confundindo o que significa, diria que a resposta estaria numas boas "chapadas". Claro está, com o exagero linguístico que nunca passaria à prática mesmo não sendo eu uma pessoa de dar sempre a outra face. Mas nunca confundindo o que apetece fazer com o que se faz.
O Politicamente correto está a condicionar grande parte da vida política e da vida da generalidade das pessoas. Um caso destes é paradigmático, Rui Rocha ficou parado enquanto um "jovem" o "pintava" de verde e não era para festejar o quase campeonato para o Sporting. Um outro jovem tinha um cartaz onde se lia “para a nossa espécie não ficar extinta, fim ao fóssil 2030”. Está no direito de se expressar no seu espaço de liberdade sem atropelar a liberdade do outro. Foi tinta, podia ser uma arma que era igual, ainda não chegámos a isso, mas não se sabe se esses extremos vão depender do grau de permissividade que estamos, progressivamente, a abrir.
Defendo o exercício livre do direito de opinião e de manifestação, só assim se entende a Democracia. Mas defendo o respeito e o cumprimento da lei, seja para quem for. Devemos ser exigente para os políticos, mas também para os cidadãos. E para a juventude, em particular, devemos passar valores de formação pessoal e democrática. Não é nada disto. Isto é um caso de polícia.



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