A mobilidade "mexe-se" pouco
- Henrique Correia

- 1 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Sendo um assunto nuclear da vida dos madeirenses, no sentido da defesa da continuidade territorial, devia merecer unanimidade partidária, entre deputados da Madeira, à volta de todas as iniciativas nessa perspetiva.

É ridículo reduzir o debate sobre a mobilidade a questiúnculas partidárias que só demonstram alguma visão redutora das grandes questões que, por serem grandes, deveriam merecer uma operação integrada e estratégica, bem como uma solução rápida e eficaz. O que não acontece na mobilidade. A ilha "vocifera" de reivindicações, os partidos pretendem o mesmo objetivo, os governos falam em soluções, parece haver unanimidade relativamente ao pagamento, apenas, do valor atribuído ao residente e não o valor total da viagem para posterior reembolso, com as burocracias conhecidas, e mais do que isso, com regras que mudam de mês a mês e, mais grave, que são alvo de interpretações diferentes de estação para estação dos CTT, e de funcionário para funcionário, o que ainda é pior. Esta realidade é a única que é objetiva.
O Governo da República já prometeu uma plataforma, há propostas apresentadas e aprovadas na Assembleia da República, há prazos de entrada em vigor que já se esgotaram várias vezes, há muita conversa, mas na prática o efeito é zero além da retórica partidária em que os deputados da Madeira, sobretudo os do PSD, encobrem a falta de influência efetiva junto do Governo da República, como se sabe do PSD/CDS, deixando algumas saudades de outros tempos em que a Madeira tinha peso institucional e negocial na República (teve um vice presidente da Assembleia da República, Guilherme Silva, que mantinha algum à vontade nos corredores do poder, mesmo naqueles que não eram PSD). Teve e tem a sua veia partidária, que normalmente tolda esclarecimentos, mas dava peso à Madeira na capital, coisa que hoje não acontece.
A plataforma está aprovada, dizem que é preciso prepará-la para utilização, prometem reembolso rápido, isso vamos ver, mas a realidade é que a entrada em vigor eterniza-se, além de não resolver a questão essencial do residente pagar só o que lhe é atribuído.
Sendo um assunto nuclear da vida dos madeirenses, no sentido da defesa da continuidade territorial, devia merecer unanimidade partidária à volta de todas as iniciativas relativas a este assunto que envolve a defesa dos madeirenses, independentemente dos partidos em causa, o que serve para o PSD/CDS, mas também para o PS, CHEGA, PCP, IL, BE, LIVRE, JPP E PAN.
A responsabilidade deve ser de todos e só assim podemos acreditar que elegemos nossos verdadeiros representantes e não meros representantes dos partidos.
Sejam sérios. Todos. Há assuntos que não são bons para brincar aos partidos. A mobilidade é um deles.





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