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A propósito de "jardinistas"...

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 27 minutos
  • 3 min de leitura


Não digam que foram jardinistas, passou o tempo e já não é preciso. Mas também não digam que não foram...





Alberto João Jardim fez obra. Fez dívida, é verdade, fez-nos andar com um aperto por via do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro, mas fez obra e fica para a História da Madeira, da Política portuguesa e até de instituições internacionais, um homem de combate político, via tudo como um combate político, até na comunicação social, não via informação livre, via o que é a favor e o que é contra, sem meio termo tudo com excessos, nada era impossível, era para fazer e tudo era feito para ser feito. Os secretário, à época, levavam uma vida dura. Era assim ou assim . Independentemente do resto, não havia resto. Praticamente nem limites. Mas era, e é, um homem de conhecimento, culturalmente evoluído, um dom de palavra como poucos. No estilo, foi único. Para o bom e para o mau. Foi assim, a História faz-se com tudo lá dentro.

Foi prepotente, foi. Teve atitudes ditatoriais, do quero, mando e posso, teve. Ouvia, mas fazia o que pensava mais do que aquilo que ouvia, sim. Cumprimentava com "vai isso..." e o povo gostava, é verdade. O povo votava numa espécie de dono do clube. A bem, dava o coração, a mal era o "fim do mundo". Se num arraial aparecia alguém com álcool a mais e espirrava, era logo comunista desde pequenino e só não mandava prender porque parecia mal. Poucas coisas lhe pareceram mal. Mas o homem ou mulher nesses momentos, ia logo a andar de "fininho", não era bonito de ver, sobretudo com aquela avaliação primária do tempo em que os comunistas eram o "bicho papão", e até a polícia andava de rédea curta. Andava a polícia e o resto. E desse resto, restava pouco. 

Quem afrontava Jardim ou fazia qualquer coisa que "cheirasse" a oposição, ou a oposição propriamente dita, quando aparecia mais musculada, ficava debaixo de olho e raramente tinha futuro, tudo isso é verdade. Mobilizava tudo e todos nas eleições, o que podia e o que não podia, andava tudo que nem "tropa", deve ter sido da formação em ação psicológica. Mas fez obra e marcou os 50 anos de Autonomia. A História faz-se de tudo o que faz a História.

Mas, não o esqueçamos, em nome da memória que a História precisa, feita do bom, do mau e do assim, assim, que a governação de Jardim foi feita com a cumplicidade de muitos daqueles que, ainda hoje, ocupam cargos em primeiras, segundas, terceiras e quartas linhas. São os antigos jardinistas, que não só disseram sim a Jardim durante uma vida, como agora são Albuquerque de coração e alma e juram que nunca foram de outro. Como o próprio Albuquerque, que foi preponderante na gestão de Jardim, foi crítico do líder, mas assumido publicamente só quando o caldo estava entornado. Assumiu o Poder para, erradamente, apagar o passado, arrastou seguidores que então "arfaram" com esse poder, e não demorou muito a fazer uma inflexão e a descarta-los quando eles iam, cumprindo ordens, despachando as "sombras" de Jardim, as que eram e as que pareceram ser para os "executantes". E foi então que Albuquerque, um homem de Jardim, fez como Jardim sem parecer como Jardim.

Vem isto a propósito de uma declaração do presidente da Câmara do Porto Santo, Nuno Batista, na RTP Madeira, ao afirmar o seu apoio a Miguel Albuquerque sentindo a necessidade de dizer "nunca fui jardinista". Nem o conhece, querem ver...

Muito bem, já devem ter reparado que ninguém foi. Não é só o Nuno Batista, ninguém foi. É estranho? Claro que sim. Surpreende? Não, para quem sabe e conhece o meio, pouca coisa surpreende. Mas para manifestarem lealdade e apoio a uma liderança, até podem criticar a anterior e os muitos defeitos de um certo feitio que se pretendia mais suave e menos rocambolesco, não é necessário apoucar a história na qual estiveram comprometidos.

Digam que apoiam o atual presidente do Governo e do PSD, fica sempre bem e é legítimo que o façam se for esse o desejo. Não precisam é dizer que não foram jardinistas, entendendo-se o jardinismo como uma fase da governação social democrata da Madeira. Não digam que foram jardinistas, passou o tempo e já não é preciso. Mas também não digam que não foram...

Uma questão para Miguel Albuquerque colocar as "barbas de molho". Quem faz a uns, faz a outros...

 
 
 

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