Raimundo Quintal denuncia pastoreio sem pastor
- Henrique Correia

- há 2 horas
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Investigador diz que o Instituto de Florestas foi alertado para este "pastoreio desordenado". E diz mais: "A inflação de palavreado pró pastoreio ordenado/dirigido, tem resultado num crescente desrespeito pelo património florestal"

O professor Raimundo Quintal, também investigador e defensor da prevenção ambiental, antigo vereador da Câmara do Funchal, denunciou que este domingo "um grupo de ovinos, provavelmente do rebanho sediado no Chão das Feiteiras, passou o dia a alimentar-se de aipo-da-serra, urze-molar, urze-das-vassouras, uveiras-da-serra, faias-das-ilhas, loureiros, cedros-da-Madeira e massarocos numa área do Parque Ecológico do Funchal adjacente ao Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha, entre os 1500 e os 1550 metros de altitude, a uma distância aproximada de 5 km do ovil. Sem o acompanhamento de pastor. O Instituto de Florestas foi alertado para este pastoreio desordenado.
"Às 20 horas ainda lá estavam entre as plantas nativas, plantadas e mantidas pelos voluntários da ECOAMA (ex Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal). Espero que nesta manhã de segunda-feira, os guardas florestais encontrem os animais, que ao fim da tarde foram registados em vídeo por um voluntário da ECOAMA, e que o IFCN explique aos criadores de gado que animais a vaguear pela serra são a negação do conceito de pastoreio ordenado", escreve Raimundo Quintal.
O investigador e antigo autarca do Ambiente no Funchal dirige-se aos "profissionais da política (alguns incapazes de limpar os seus terrenos)" para que "estudem a sério a história dos incêndios florestais na Madeira para compreenderem as verdadeiras causas.
E como se aproxima o Outono, que vão até lá acima combater as plantas invasoras e plantar espécies endémicas. Pelo menos uma vez por mês e sem conferências de imprensa!"
Raimundo Quintal diz que 'podem conseguir arregimentar muitos adeptos para as suas soluções mágicas, mas não conseguem, nem conseguirão, vergar quem estuda a história da floresta e dos incêndios florestais, quem há muitos anos trabalha voluntariamente no restauro dos ecossistemas da Madeira com o objectivo de mitigar os efeitos das alterações climáticas nesta pequena ilha do Atlântico subtropical.
A inflação de palavreado pró pastoreio ordenado/dirigido, tem resultado num crescente desrespeito pelo património florestal, no avanço dos animais para áreas onde tem havido um enorme esforço na plantação de espécies endémicas e nativas, após o criminoso incêndio de Agosto de 2010.
Uma coisa é mandar umas bocas políticas em defesa de duvidosas tradições com o objectivo de captar simpatizantes, outra coisa é a realidade no terreno".



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