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Albuquerque: Madeira sem razão para protestos

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
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Presidente do Governo Regional desvaloriza manifestações no País e resume tudo a manipuladores, manipulados. E comunistas. "Ainda bem que aqui não há".




O presidente do Governo Regional foi ao Caniçal fazer uma declaração do antigamente: as manifestações são manipulações de esquerda. E quando mete a esquerda, mesmo com esta em declínio, o argumento, o rótulo e o medo dão sempre um apoio para colocar os descontentes em sentido, colados ao comunismo como quem tem uma patilogia incurável e fatal para a vida. Ninguém quer isso, Albuquerque sabe disso.

O líder do Governo falou nas manifestações polémicas em Lisboa e Porto, pelo direito à habitação, disse que é tudo manipulado, os jovens são manipulados, quem vai para a rua vai na manipulação, à boleia do Partido Conunista e do Bloco de Esquerda. E Albuquerque disse mais: aqui, na Madeira, não há disso, "estamos a entregar casas, são 808 mais 6, dá 812", diz Albuquerque com contas de cabeça, mas ambém não é grave, são 114 na realidade. São casas, o importante é passar a mensagem que aqui há casas, não há manifestações nem manipulações como lá fora, como se alguma vez, sobre alguma coisa, a Madeira tivesse assinalado alguma manifestação que se veja para reivindicar seja o que for. Povo na rua talvez com o Papa, a noite do Mercado, o fim do ano. Ninguém se manifesta, não há motivos para isso, diz Albuquerque. Pudera, levam uma "roda" de manipulados e comunistas, se alguém vê têm a vida arrumada, mas no sentido contrário de arrumar a vida.

Miguel Albuquerque não deve desvalorizar um direito constitucional, o direito à manifestação. Não deve rotular quem sai à rua e expressa o seu descontentamento porque as casas estão caras, o dinheiro não chega e o futuro não se vê. Não deve reduzir a uma questão partidária aquilo que é uma preocupação das pessoas, que querem viver em democracia mas também querem um exercício democrático de quem exerce os cargos públicos.

Outra coisa diferente, isso sim, é falar de quem aproveita as manifestações para fazer política. De quem manipula por infiltração, de quem faz distúrbios e deve ser alvo de intervenção firme e consequente da autoridade. Mas uma coisa é criticar excessos, laterais ao objetivo, outra é desvalorizar um direito consagrado na Constituição, a mesma Constituição que consagra eleições e nomeações de presidentes dos Governos, além de outros. A Democracia não pode ser de acordo com as conveniências político partidárias. É a Democracia e pronto.

A Madeira sempre foi mais de protestos à "porta fechada". É bom para quem governa, mas há um risco: ninguém sabe quantos são se a porta, um dia, abrir.




 
 
 

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