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Albuquerque: o limite ilimitado...

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura


O limite de mandatos tem a ver, isso sim, e sobretudo, com uma questão de princípio e de articulação com o normal funcionamento das instituições. E nenhum político deve ter receio dessa estratégia.





Quando Miguel Albuquerque assumiu a candidatura à liderança do PSD-Madeira e defendeu o limite de mandatos para expressar uma diferença de atitude face ao presidente de então, no PSD-M e no Governo, Alberto João Jardim, fazia todo o sentido político visando evitar que, no futuro, uma liderança se eternize em candidaturas e no Poder, seja ele qual for, regional, nacional ou Local, partidário ou de governação. E sabe-se que o poder que o Poder tem para se entranhar mesmo depois de alguma estranheza.

Não tem a ver com gostar ou não das pessoas ou dos partidos, com Democracia ou falta dela, nem com alternância político partidária da mudança porque sim. Se o eleitorado, de partido ou de Governo, pretender as mesmas políticas, vota no mesmo projeto com outro líder, ainda que as votações, sobretudo na Região, tenham muito de pessoal por iliteracia política que impede avaliação e escrutínio de programas e medidas, por isso a cara conta muito e entende-se, por isso, que não há mais ninguém a seguir. O fim é o caos. É assim desde sempre, não há muito a fazer. Foi assim com Jardim e é assim com Miguel Albuquerque. Sendo diferentes, há muito de igual com outros "fatos".

O limite de mandatos tem a ver, isso sim, e sobretudo, com uma questão de princípio e de articulação com o normal funcionamento das instituições. E nenhum político deve ter receio dessa estratégia, a menos que esteja agarrado ao Poder e, para evitar surpresas, bloqueie eventuais possibilidades de outras soluções. Um padrão que, até hoje, não era relacionado com Miguel Albuquerque. Até hoje. Veremos. Fica o benefício da dúvida quanto a este particular.

Miguel Albuquerque deveria ter mantido a sua posição que serviu para ganhar as internas. Não está em causa a sua legitimidade, que a tem na totalidade, está em causa o que defendeu como "bandeira", cuja mudança agora verificada não tem conjuntura onde "encaixe".

Já se sabia que Jardim não gostava, nem gosta, de limite de mandatos. Diz que as pessoas devem ter a liberdade de escolher a mesma pessoa para liderar partidos e Governos. E assim esteve durante décadas com sucessivas quedas de aspirações por parte dos seus vices, que viram a porta fechada pela continuidade da mesma liderança, que nas circunstâncias conhecidas, algumas delas ainda vigentes na era Albuquerque, determinaram um modus operandi que vicia o jogo sem viciar o processo democrático. Ou seja, o Poder da máquina governativa, regional e local, é de tal ordem que as influências contornam os figurinos para legislar ou adaptar leis e normas à medida das necessidades. Uma multidão de beneficiários, a vários níveis, elegem facilmente as lideranças, já é uma questão geracional, apesar do reconhecimento de mérito da governação.

Esta alteração de estatutos no PSD-M, um pouco à medida, surge também num contexto em que Albuquerque tem vindo a deixar claro que não diz quando sai para proteger o partido. Está convencido que se disser cedo, também cedo abre uma "guerra" interna. Assume-se como um "tampão" para evitar o caos, e com isso "tranca" tudo no "baú" até considerar que há condições para o próximo líder. Uma espécie de tentativa de preparar a transição, como quis fazer Jardim, mas de tanto adiar acabou "afastado" sem parecer. O processo é parecido, agora com menos tempo de governação, muito menos.

O limite de mandatos permite algumas aberturas e impede que as estruturas criem mecanismos para que as lideranças sejam sucessivamente eleitas, sabendo-se como são fechados e manipulados os órgãos dos partidos, que em função de lugares (o número depende de quem governa ou não) assumem um uanimismo prejudicial ao processo democrático, curiosamente assente nos meios de maior manipulação: os partidos. Daí uma frequente confusão sobre onde começa e acaba o partido ou onde começa e acaba a governação.





 
 
 

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