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  • Henrique Correia

Albuquerque vai ao Congresso do CDS


A estratégia do CDS é hábil, é partido de Governo para todos os efeitos, deixa o PSD chamar a si os "louros" mas sempre lembrando que Albuquerque governa porque houve e há o CDS.




O parceiro do PSD-M no governo regional de coligação, o CDS, tem o seu congresso este fim de semana no Savoy Palace para a reeleição de Rui Barreto, que como se sabe é o secretário da Economia no Governo PSD/CDS, e para um momento de exaltação do partido, ao mesmo tempo relançamento da identidade centrista na embalagem do "rótulo" governativo na Região.

Uma mensagem, para dentro e para fora, visando as regionais de 2023. E para acrescentar valor na eventualidade de nova coligação, está a presença assegurada de Miguel Albuquerque, líder do PSD-Madeira, no congresso do CDS, uma novidade que talvez poucos esperariam possível ver um dia no contexto da política regional. Sinais dos tempos e das estratégias conjunturais.

Miguel Albuquerque, segundo conseguimos apurar, tem presença garantida para domingo, o que não deixa de constituir um procedimento que neste momento tem uma leitura política de valorizar o parceiro, pode não expressar qualquer sinal concreto para 2023, mas perspetiva manter o valor da ligação e uma certa resposta à presença de Rui Barreto e de José Manuel Rodrigues no congresso do PSD Madeira.

A verdade é que depois de perder a maioria absoluta, o PSD acabou por encontrar no CDS um parceiro mais controlável e menos aventureiro nos objetivos atendendo a uma conjuntura desfavorável. Barreto estava consciente na desvalorização iminente do partido, comprovada pelo descalabro a nível nacional, expresso em votos e perda de representação na Assembleia da República, procurando salvar a "honra" na Região, só possível com o facto de estar em coligação e não mostrar, de forma concreta, qual o valor atual do CDS Madeira em votos.

Miguel Albuquerque, acredita-se, está convencido que vence sozinho em 2023, com maioria absoluta. Mas não tem a certeza e por isso também joga "à defesa". O CDS faz por contrariar essa ideia que possa fazer "voar" a imaginação do PSD e tem lançado mensagens de estabilidade para o seu parceiro, esta só possível de "braço dado com o CDS". A estratégia do CDS é hábil, é partido de Governo para todos os efeitos, deixa o PSD chamar a si os "louros" mas sempre lembrando que Albuquerque governa porque houve e há o CDS. E a presença de Albuquerque no Congresso, de certo modo, reconhece essa realidade e sente necessidade de, também ele, dar um sinal de gratidão. Nem que seja para consumo imediato e para tranquilizar o parceiro em hora de mais Barreto pela frente.


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