Almirantes "sem medos"...
- Henrique Correia

- 7 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
É bom ficarmos a conhecer a posição de Gouveia e Melo sobre o ferry e outros assuntos, para cada eleitor avaliar e dizer também ao que vai, além de que, por certo, o Almirante é homem para assumir as consequências com a mesma certeza das posições que toma.

A Madeira deve ter uma boa cobertura de transporte aéreo, de passageiros e de carga. A Madeira deve ter uma cobertura, mesmo nos mínimos, de transporte marítimo de passageiros de ligação ao continente, e deve ter uma boa cobertura na carga. Melhor dizendo, um direito das ilhas portuguesas. Não é uma questão de lucro, mas de serviço público em função das garantias de continuidade territorial, da responsabilidade do Estado e envolvenda a colaboração, dentro do entendimento para as circunstâncias, da Região. Ponto.
Tirando este princípio, de defesa das Autonomias e de compensação dos custos de insularidade, como de resto deve acontecer à Madeira, relativamente aos compromissos com o Porto Santo, neste particular da dupla insularidade, todas as opiniões são respeitáveis, são admissíveis num contexto de liberdade de expressão e do direito à opinião, sendo que se estivermos perante figuras com responsabilidades ou candidatos a cargos de topo do Estado, a opinião coloca o autor sob escrutínio popular, que lhe pode ou não ser favorável, e submete-se aos comentários sobre a temática em debate.
A opinião do Almirante Gouveia e Melo, como se sabe candidato à presidência da República, no sentido de não ser uma prioridade o ferry de ligação ao continente, com o argumento dos custos, sublinhando que o transporte aéreo responde às necessidades, é uma opinião como outra qualquer, deve ser normalizada do ponto de vista das opiniões livres, e teve o mérito de ficarmos todos a saber o que pensa o candidato da operação ferry. E é assim, sabendo o que pensam os candidatos sobre diferentes assuntos, que o eleitorado fica esclarecido sobre as diferentes opiniões, mesmo sendo candidato a um cargo sem decisão executiva, compete ao Governo, e situando-se num patamar da magistratura de influência, importante mas não decisivo.
Portanto, a posição do Almirante é admissível, disse o que pensa, privilegia o discurso de "arquipélagos" e, esporadicamente Regiões Autónomas, mas tem o mérito da dizer ao que vem mesmo com poderes limitados na execução de políticas. Mas é bom ficarmos a conhecer, para cada eleitor avaliar e dizer também ao que vai, além de que, por certo, o Almirante é homem para assumir as consequências com a mesma certeza das posições que toma. Um aparente "sem medo" do que pode "colher".
Nada a ver, só na patente, mas será uma espécie de segundo Almirante "sem medo", como foi assim considerado o Almirante Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro do VI Governo provisório, que não tinhas estas "tiradas" do ferry para a Madeira, mas tinha um "barco" difícil de gerir, e já na altura uma linguagem que ficou história, como o "bardamerda" quando respondeu a uma manifestação de trabalhadores que o chamavam de fascista. E não foi por pensar que o microfone estava desligado, como o secretário Eduardo Jesus o fez na Assembleia muito recentemente.
Como se vê, a história de Portugal também se fez de Almirantes. Diferentes, nos tempos e nas palavras, mas almirantes "engraçados" na mesma.
Nota: tirando o Almirante Américo Tomás, não se sabe se também "sem medos", que acabou no exilio, no "nosso" Palácio de São Lourenço, onde curiosamente, Gouveia Melo, então como responsável da Armada, não prestou declarações à comunicação social, à saida da audiência com o Representante da República.
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