Barreto "reabre" debate: o Palácio deve manter-se no Estado
- Henrique Correia

- há 1 hora
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O Representante da República é discreto mas pode ter reaberto o debate polémico. A Fortaleza do Pico e o Forte de São Tiago passaram para a Região e é o que se vê de degradação.

Para quem se lembra da campanha do Diário sobre o Palácio de São Lourenço (“O Palácio é meu, é teu, é nosso”!) reivindicando o Palácio de São Lourenço para a Região, ao tempo do Governo de Jardim e com a colaboração deste, a entrevista do atual Representante da República, hoje ao JM, não deve cair bem em muito lado. Paulo Barreto defende que o Palácio deve manter-se na posse do Estado e diz que uma das razões é o estado de degradação do Forte de São Tiago e da Fortaleza do Pico, que passaram para a Região. Ou seja, conclui-se, na ideia de Barreto, que a Região não é capaz de receber um bem destes e preservar como deve ser.
O Palácio está em obras, com verbas do PRR, incidem na área civil, assim que estejam concluídas o Palácio estará aberto à população. Quer preservar e abrir.
Na entrevista, o novo Representante, Juiz Desembargador, que fez carreira entre a Região e o Continente, reforça a posição já assumida anteriormente no sentido de não estar presente nas cerimónias públicas que são de protagonismo das entidades regionais. Paulo Barreto demonstra, assim, uma intenção de manter uma certa equidistancia dos poderes da Região, ainda que salvaguardando uma boa relação institucional com todos eles. Uma estratégia de quem conhece a forma e o conteúdo de um meio pequeno, bom no social e no acolhimento, mas também previsivelmente absorvente e potenciador de cumplicidades.
Nesta entrevista, Barreto mostra ao que vem: um estilo mais reservado, uma atuação exclusiva nas matérias que são estritamente da sua competência, alinhamento com o Presidente da República nessa estratégia, vai à sessão do Dia da Região na linha da representação, como de resto será essa a postura que podemos esperar.
Barreto está confortável com o cargo, diz que só há Representante porque os partidos não se entendem, não fica incomodado com os políticos que defendem o fim do cargo, admite outras soluções. Prefere que se fale em extinguir e não eliminar.
O Representante foge a tudo o que possa comprometer, tudo o que tenha a ver com partidos, com o que poderia entrar na esfera do seu antecessor, ou a tudo o que é da Região. É cauteloso, tem a ver com a linha de exercício que definiu. Tem obviamente opinião própria, mas o cargo obriga a contenção, a que estabeleceu está num patamar alto, mas deixa antever que num cenário mais "apertado" do ponto de vista político, vai atuar nas poucas competências. É diferente de Ireneu Barreto, muito diferente. Diz que cada pessoa é diferente.



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