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CR7: a falha de gestão não deve "matar" a história

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura



Não podemos deixar que um erro de gestão, com responsabilidades repartidas, e talvez desmedidas de comércio, possa pôr em causa esta história bonita chamada Cristiano Ronaldo




Cristiano Ronaldo, madeirense de origens humildes, fez uma carreira brilhante no futebol, conquistou quase tudo no âmbito desportivo, faltou mesmo o Mundial, talvez tenha tudo no plano pessoal, como é pessoal nunca se sabe o que é tudo, mas pelo menos parece tudo, e tem ainda a dimensão de marca que ultrapassa fronteiras e que não só levou e leva Portugal ao mundo, como também traz mundo a Portugal. E mais: CR7 é muito mais do que futebol, é exemplo de persistência à escala planetária. O trabalho como base de conquista, com a componente humana no centro da formação. A carreira foi grande, ainda não acabou porque persegue um recorde de mil golos, faltam 24. Mas a carreira já é grande, enorme. Não há como relativizar os feitos, foram muitos, individuais e coletivos. Mas há outros, pessoais, com a família, com gente anónima que ajudou e continua a ajudar, a parte humana perpetua-se muito além de um universo cuja fasquia de idoso começa depois dos trinta. E ele já passou dos 40.

O resto, jogar 90 minutos quando devia jogar 45 ou no máximo 60, ser substituído ou jogar mais ou menos, são questões que têm a ver com estratégias mal definidas nesta seleção portuguesa, com um presidente da Federação que insistiu neste treinador de futebol sem brilho, mesmo ganhando, com um treinador que não soube fazer a gestão desportiva, que organizou mal equipa, que não soube ler muitos dos jogos e não soube, ou não o deixaram, gerir Ronaldo, para bem da equipa e para bem do próprio Ronado. É verdade que CR7 poderia ter encontrado o meio termo para esta fase final da carreira, arrastar a equipa sem se arrastar, mas alguém conhece Ronaldo como um jogador de meio termo? Alguém pensa que um homem competitivo, toda a vida, que joga e marca golos aos 41, seria assim com meio termo? Alguém acredita que mesmo consciente do seu rendimento, Ronaldo vai rir quando é substituído? É comportamento de vedeta, de ídolo, de quem ganhou quase tudo? É. Mas Ronaldo é vedeta, é ídolo e é tudo o que contribui para gerar alguma inconsciência no seu ego. Por isso, alguém tinha de gerir egos, não houve esse alguém e foi o que se viu.

Mas independentemente de ser tudo verdade o que se diz sobre as falhas de gestão deste final de carreira, não podemos cair na tentação de extremar a crítica que porventura possa destruir o que deve ser preservado, o que Ronaldo deixou e deixa para gerações inteiras, e não só portuguesas. É o maior de sempre, e os homens de sempre ficam para sempre. Ser o maior não compromete nada, não obriga a nada nem garante nada quando o foco é o rendimento desportivo. Um dia acaba, saber acabar é dificil, mas saber compreender esse "acabamento" também. E talvez seja este o momento de termos os portugueses unidos no sentido de ajudar Ronaldo a acabar bem. Mas juntos, adeptos do futebol, Federação, treinadores, jogadores e, claro, o próprio Ronaldo e a família. Para acabar bem o futebol rendimento desportivo, o resto é um compromisso assumido para a vida e que se vai perpetuar ao longo da história do futebol.

Não podemos deixar que um erro de gestão, com responsabilidades repartidas, e talvez desmedidas de comércio, possa pôr em causa esta história bonita chamada Cristiano Ronaldo. Sem branquear o que quer que seja.



 
 
 

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