Deixa o Luís trabalhar...
- Henrique Correia

- há 1 dia
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O que a Região não queria e disse que não queria, no novo Modelo de Mobilidade, está lá. E ainda por cima, a República esclarece que as Regiões foram ouvidas.

"Deixa o Luís trabalhar". Deu um hino da coligação PSD/CDS para as legislativas nacionais, foi preciso um perito que nestas coisas das campanhas há muito que se paga bem para criar, que englobou também a inspiração para rebuscar um desabafo de Cavaco, há anos, nesse mesmo sentido. A diferença foi que Cavaco teve maiorias absolutas e Luís Montenegro, é este o Luís da frase, parece que tem mas não tem, governa como se tivesse, mas não tem.
Pois bem, é este Luís que agora parece olhar para a Madeira com uma réplica do hino "deixem a Madeira falar", relativamente às alterações do novo modelo de mobilidade aérea, resultantes da entrada em vigor da plataforma eletrónica para obtenção do reembolso aos residentes e estudantes, agora com denominações diferentes para distinguir uns dos outros, "Passageiros estudantes" e "Passageiros residentes equiparados", "de modo a suprir dúvidas de interpretação", diz o que foi publicado em Diário da República, onde está bem plasmada a obrigatoriedade de apresentar declarações de não dívida à Autoridade Tributária e à Segurança Social. O que a Região não queria e disse que não queria, está lá. E ainda por cima, a República esclarece que as Regiões foram ouvidas.
O Luís está a trabalhar bem, faz o que quer e a governação da Madeira, como se sabe exatamente composta pelos mesmos partidos do Governo da República, fica a meio caminho de declarações de sucesso, nunca houve um Governo como o do Luís para a Madeira, um Orçamento do melhor, com dinheiro, e mesmo que falte algum, é da mesma família política e ficando em família até o mau fica mais fácil. E o melhor, o politicamente correto, é dizer que tudo quanto é presidente do Governo, secretário regional ou deputado social democrata na República, foi apanhado de surpresa com esta portaria, e com ela as alterações à legislação anterior que criou o Subsídio Social de Mobilidade.
O Luís veio ao Chão da Lagoa, mais um "amigo" da Madeira que entra no avião e passou rápido o efeito da poncha. Por cá, são meses de elogios, meses de uma certa complacência com decisões que se cozinham nas costas da Região ou que a Região se põe de costas para lamentos futuros, coisa que mais dia menos dia "rebenta" nas mãos dos governantes madeirenses, amenos na cavaqueira das visitas, pouco assertivos nos tempos de intervenção e apanhados de surpresa por falta de prevenção. E falta de voz na República, um verdadeiro "calcanhar de Aquiles". O "amigo" Luís deixou Miguel Albuquerque a falar sozinho nesta Mobilidade Aérea, uma certa injustiça depois do presidente do Governo até ter dito, para acalmar as críticas e esbater a reação popular, que este Governo era amigo da Madeira e até foi positivo haver subsídio de mobilidade, como se fosse um favor de agradecimento para a vida, primeiro com 11 milhões, depois com muito mais. E disse entender que a plataforma estaria a ser preparada para evitar fraudes, por isso só viriam coisas boas. É o que se vê. Quando não se previne e silencia, vem a surpresa do povo, que em termos de escrutínio não resulta, mas deixa marcas na imagem de agachamento da Madeira a decisões discriminatórias entre cidadãos portugueses. Agora sim, endureceu o discurso face às perguntas inevitáveis. Enquanto o Luís "trabalhava" o modelo, o que andaram a fazer secretários e deputados dos partidos com poder de governação?. E como ficam as relações dos líderes regionais do PSD e do CDS face às respetivas lideranças nacionais? Como resolver este embaraço sem sequelas nas relações entre a Região e a República? Como compreender a posição do Presidente da República de promulgar o diploma mesmo tendo dúvidas? Como compreender este "amadorismo" negocial para um Portugal uno, com diferenças, mas com garantias de continuidade territorial sem forçar um modelo em que, com tanta exigência, levará muita gente a desistir a meio do processo?
Fica bem falar de Autonomia de boca cheia. Desde que o Luís "trabalhe" como quer e as ilhas digam que gostam de ver o Luís "trabalhar"...





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