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  • Henrique Correia

Deram cabo da Matur e passaram entre os "pingos da chuva"

Ninguém é culpado de nada. Somos todos...


Era assim...


Está assim...






O complexo turístico da Matur foi um projeto muito à frente para a época, uma centralidade turística bem concebida, um aldeamento, com apartamentos, uma unidade hoteleira, o Hotel Holiday Inn, depois Hotel Atlantis, uma piscina olímpica, um clube de Bridge e muitos serviços que completavam um espaço agradável para férias e ainda por cima perto do Aeroporto, o que nem era caso uníco no mundo sem que venha mal maior se devidamente enquadrado para uma coexistência possivel. A ampliação da pista do Aeroporto foi o mote para o desaparecimento do Hotel. Mas como explicar o abandono e praticamente o "desaparecimento" do resto? Muitas questões ficaram, até hoje, sem resposta.

No final dos anos sessenta, a Matur dava uma imagem internacional pelas mãos do grupo Grão Pará, da empresária Fernanda Pires da Silva. Foi inaugurada em 1972 e funcionou como empreendimento turístico até janeiro de 1994.

O que se seguiu? Passados quase três décadas, faz 30 anos em 2024 desde que começou a fechar portas e com isso a degradação que hoje se vê sobretudo nas áreas de serviços, uma vez que os arruamentos sofreram, em grande parte, melhoramentos que permitem circular em grande parte do espaço sem grandes problemas.

A zona habitacional mantém-se de pé e ainda é o que dá vida à zona, uma vez que muitas pessoas adquiriram as casas. O resto está ao abandono, exceção feita a negócios resistentes que não conseguem esconder a destruição e os "escombris" de vidas e de histórias. Um cabeleireiro, dois bares e muita vontade de dar vida à zona, convivem com um centro comercial "fantasma" ao nível dos piores bairros do país. Escadas abaixo ou escadas acima, podemos ver o passado deitado fora e com ele destruído muitas vidas, pessoais e profissionais.

Não importa, neste momento, apurar culpados, acho que foram tantos ao longo dos tempos que fica dificil fazer definições. Ainda hoje há inércia, falta uma conjugação de esforços para que se possa dar, à Matur, o retorno através dos novos tempos.

Em 2021, o presidente da Câmara de Machico dava conta da entrada projeto para um complexo turístico que incluia hotel, zona habitacional e também zona de campismo de luxo. A apresentação era para breve, mas o atraso é evidente. Mas antes, em 2017, em declarações ao Funchal Notícias, Ricardo Franco dizia: "O empresário Paulo Nóbrega adquiriu o espaço e é sua intenção valorizá-lo do ponto de vista hoteleiro, além de pretender recuperar a piscina. Na faixa que vai desde a piscina até ao miradouro, o plano prevê não só a construção de habitação como de hoteleira, aguardando-se que tenha seguimento aquilo que neste momento se encontra no plano de intenções”.

Em novembro de 2022, num artigo de opinião no JM, o antigo presidente da Câmara de Machico, o social democrata Emanuel Gomes, escrevia assim sobre a Matur:


"Para acabar de vez com o caos urbanístico e desregulamentação da Matur, a Câmara deveria e poderia adquirir grande parte das parcelas ainda pertencentes à empresa ou à banca e iniciar o processo de legalização, regulamentação e disciplina urbanística que todo o espaço carece. Aquela anarquia não pode continuar em rédea solta, onde cada um vai fazendo o que quer e pode, numa espécie de terra de ninguém. Na revenda ou no aluguer, a Câmara recuperaria todo o dinheiro investido".


A incompetência, a irresponsabilidade, o desinteresse, passaram "entre os pingos da chuva". Como é preocupante vermos aquilo que a falta de memória faz. Será por isso que o nosso mundo tem pressa em mandar a memória para casa.

Ninguém é culpado de nada. Somos todos...




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