Dá para "suspender" a Madeira?...
- Henrique Correia

- 18 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Claro que não é possível essa "suspensão" generalizada. Mas também não vamos lá com suspensões sectoriais conforme os problemas vão aparecendo com uma governação à vista. Problemas e interesses.

Não seria por muito tempo esta ideia que admito de um absurdo que nem chego a perceber como é que me passou pela cabeça. Tem dias e deve ter sido potenciada por várias suspensões ocorridas nos últimos tempos, na Madeira, resultantes de uma corrida atrás do prejuízo, uma reação por falta de ação e uma atuação por falta de prevenção. Portanto, suspende-se tudo para fazer alguma coisa que se veja.
Já deu para perceber que a Madeira não estava preparada para esta realidade a que se chama de crescimento. A vários níveis do turismo, da habitação, da saúde, no fundo dos serviços um pouco por todo o lado. É bom vir gente, turistas, é bom que haja mão de obra por ser preciso prestar serviço a mais gente, é bom o negócio das casas, o mercado é livre e o preço tem uma liberdade a roçar a libertinagem, que é sempre um problema, mas os números fazem deitar a poeira para debaixo do tapete.
Ficámos todos eufóricos com este paraíso na terra, uma oportunidade de ganhar muito com pouco e em pouco tempo. Os restaurantes mudam preços de menus quase todas as semanas, as casas são caras e são poucas, para vender e para alugar, os especuladores já são aqueles que procuram e não os que oferecem, um fenómeno revelador que o sistema está a falhar, as pessoas estão esgotadas e sem soluções, e chegou-se a um ponto que por muita resistência possível, pode rebentar mais cedo do que se pensa. Não é pessimismo, pode acontecer mesmo.
Quando Manuela Ferreira Leite, em tempos, disse que talvez fosse necessário suspender a Democracia por seis meses, foi um escândalo. E realmente, dito assim, era mesmo escândaloso quando lutámos tanto por essa mesma Democracia. E vamos agora suspende-la? Pareceu mal.
Na altura, Ferreira Leite perguntou, quando Sócrates queria reduzir as férias dos juízes, se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem", salvaguardando que em Democracia não se pode fazer o que se quer.
Portanto, com alguma ironia face à realidade atual da Região, onde se suspendeu localmente, no Funchal, as novas licenças de Alojamento Local, e mais abrangente as novas licenças de TVDE, falando-se que seria bom suspender novas licenças de rent-a-car, muitas delas sem condições e sem espaços, operando a "céu aberto" nas chegadas do Aeroporto, suspender a Madeira é um escândalo, mas no sentido figurado até é bem pensado. Para alguém pensar bem...
Vamos suspender as deslocações ao Pico do Arieiro? Ao Cristo Rei, onde o pandemónio é grande, à Ponta de São Lourenço? A todos os sítios onde vai toda a gente ao mesmo tempo, para lembrar declarações do secretário do Turismo?
Será necessário "suspender" a Madeira para endireitar isto e evitar danos maiores?...Claro que não é possível essa "suspensão" generalizada. Mas também não vamos lá com suspensões sectoriais conforme os problemas de uma governação à vista. Problemas e interesses.
É bom o crescimento e o desenvolvimento. Mas é bom saber por onde vamos e para onde queremos ir.





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