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  • Henrique Correia

Esta ideia de paraíso "enche a alma"



A pré campanha das Autárquicas está boa, gosto mesmo, é para as Câmaras mas até parece para o Governo de tão boa que está a ser.









Gosto muito das eleições. Para ser sincero, até gosto mais da pré campanha. A campanha propriamente dita, nas duas semanas anteriores ao ato eleitoral, é aquela fase em que já não podemos ver os candidatos à frente. Já debitaram tudo o que tinham e naquela altura é só para "encher" qualquer coisa.

A pré campanha não, aquela perspetiva de paraíso enche-nos a alma, parece que nunca mais acaba de um contentamento que só mais tarde fica descontente, o que de certo modo prolonga o ânimo, para mais depois de uma pandemia em que os madeirenses (nunca percebi a utilização frequente de dizer madeirenses e portosantenses, mas isso fica para outro artigo um dia destes) foram abaixo psicologicamente.

A pré campanha das Autárquicas está boa, gosto mesmo, é para as Câmaras mas até parece para o Governo, de tão boa que está a ser. É, de facto, um regalo à vista e uma lufada de ar fresco quando ouvimos e vemos ao mesmo tempo que olhamos para o horizonte. Só a ideia de ter o que nunca tivemos, de passar a pagar muito menos do que pagavamos, de termos casas para todos, de estacionamentos de fartura, de bolsas alargadas a todos os ciclos, a juventude do Funchal então tem uma sorte que até acho que toda a juventude da Madeira vai querer viver na capital, onde haverá casas, empregos, apoios, formação, aposta no digital, no manual e em tudo onde a juventude mexe, menos nas bebidas, mas penso que a Coral do Dr. Miguel Sousa pode estar a preparar umas promoções, nem que seja se o seu candidato ganhar. Mas se não ganhar, também pode haver.

Fico, por vezes, extasiado com tanta coisa que vamos ter. Ainda bem. Tanto tempo a falar do Mercado, dos problemas do Mercado dos Lavradores, de alguns comerciantes, de alguns preços. E de repente, de uma assentada, vamos ter novo concurso, esta Câmara chegou-se à frente, mas também redução de taxas, promete o outro candidato. E apoios sociais garantidos, dizem os dois, desdobrando-se numa estratégia marcelista sem Marcelo, de abraços e selfies, de becos e veredas, de sacos e canetas, de tudo o que nos possa transportar para o tempo de Adão e Eva, mas com mais gente.

Mas agrada-me esta ideia de ter tudo no Funchal. Só de pensar que os sem abrigo vão ter apoio em instituições e serão integrados no mercado de trabalho, como prometeu Pedro Calado, é uma coisa que me tranquiliza. Significa que o futuro está garantido, praticamente sem pobres, sem sopa do Cardoso, nem Cáritas, nem Banco Alimentar, estruturas que prestam um grande contributo, sobretudo nesta fase aguda em que há mais sem abrigo, mais pedintes, mais necessitados, mais pobres, menos classe média. É um conforto saber que isso se resolve daqui a menos de um mês. Pensar que se resolve ajuda.

Gosto muito desta pré campanha. Acho que ninguém pensou nisso, mas bom, bom, para os funchalenses, era mesmo juntar Miguel Gouveia e Pedro Calado. Era o paraíso na terra e estamos a precisar disso. Já temos promessas, já temos garantias. Falta só termos mesmo.

Deixem-nos sonhar até 26 de setembro.


"Eles não sabem, nem sonham

Que o sonho comanda a vida

E que sempre que um homem sonha

O mundo pula e avança

Como bola colorida

Entre as mãos de uma criança"

- Pedra Filosofal









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