Governo escolhe rácio mais favorável para responder aos enfermeiros
- Henrique Correia

- há 11 horas
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Segundo o Sindicato, o que está em causa é o rácio do Serviço Regional de Saúde, que é de 7,6 por mil habitantes. E não o total da Região que é de 10,8, número do Governo.

Estes dados incluem todos os enfermeiros inscritos na Ordem, incluindo reformados prestadores de serviço, quando as insuficiências correspondem ao Serviço Regional de Saúde.
Os enfermeiros, 70 do Serviço de Urgência, assinaram um pedido de "escusa de responsabilidade", uma designação que não pode ser levada "à letra", uma vez que não é propriamente uma escusa e muito menos de responsabilidade, como esclareceu a Bastonária. É uma espécie de alerta, que se chama como se chama por ser assim mesmo, grave na mesma por ser um "grito" de revolta dos enfermeiros, mas com responsabilidade, não vá o utente pensar que um enfermeiro em escusa de responsabilidade não tenha responsabilidade nos cuidados. Já se viu que não é isso que acontece.
Pois bem, posta esta reflexão, temos que o Governo, perante tal gravidade, responde com o anúncio de uma contratação relâmpago, mas faz mais do que isso, publica uma informação que visa deixar claro que o rácio, na Região, até é dos bons, melhor relativamente aos dados nacionais e aos dados europeus. Ou seja, a pressão sobre os profissionais existe, o esgotamento também, mas para o Governo há o cumprimento das normas oficiais de enfermeiro por número de utentes. Só que o Governo aproveita para dar o rácio que lhe convém, mais favorável, englobando todos os enfermeiros inscritos na Ordem, os que trabalham nos privados, nas misericórdias, até reformados que prestam serviços diversos e que, por isso, têm de estar inscritos. Quando o que está em causa e no cerne das reivindicações, é a situação do Serviço Regional de Saúde, hospitais públicos e centros de saúde.
Diz o Governo que a Região "apresenta o rácio mais elevado de enfermeiros por cada mil habitantes em Portugal. A Madeira conta com 10,8 enfermeiros por cada 1.000 habitantes, um valor significativamente superior à média nacional, que se situa nos 8,1. Mesmo comparando com a média da OCDE, que é de 9,2, a Região destaca-se positivamente".
E pronto, estamos esclarecidos com base numa parte da "equação". A outra parte, o Sindicato, que hoje fez uma publicação, no Facebook, tem uma informação diferente: "ENFERMEIROS POR MIL HABITANTES NA RAM:
SISTEMA REGIONAL DE SAÚDE - 10,8
SERVIÇO REGIONAL DE SAÚDE - 7,6
Ou seja, o SRS, que é o que interessa para o caso, apresenta, segundo dados da estrutura sindical, um número que contraria a informação do Governo Regional, sendo que segundo a estrutura sindical, está abaixo e não acima das médias nacional e europeia.
Quanto ao Governo, partindo do "seu" indicador favorável, afirma que este "demonstra que, apesar da pressão global sobre os sistemas de saúde, o Governo Regional assegura na RAM uma densidade de profissionais superior à de Portugal Continental e à da média dos países da OCDE".
"Reconhecemos o esforço e a dedicação de todos os profissionais e continuaremos empenhados em dotar o Serviço Regional de Saúde com os recursos necessários para prestar o melhor cuidado aos utentes".




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