Jardim elogia o que nunca permitiu e alega que o (seu) tempo era de luta

O antigo presidente do Governo acha, e bem, convivência democrática o dr. Guilherme Silva, do PSD, apresentar um livro de Edgar Silva, do PCP, e do jornalista Élvio Passos. E alega que no seu tempo, não era assim por causa da luta.

Lutas contra a ditadura a partir do Portugal Democrático” foi lançado na CMF.

Alberto João Jardim, já se sabe, tinha uma forma muito própria de exercer o Poder. Tudo era combate político e a explicação da sua vida política está dada. Foi assim, jamais irá reconhecer que poderia ter feito diferente e com esse mesmo combate sem que o pensamento diferente, mesmo que pontual, fosse sempre por si apontado como vindo do inimigo.
Neste contexto, hoje de uma forma distante, está reformado, mas uma vez pelo combate político, sempre no combate político para justificar lutas, mas algumas inconsistências e inconveniências, Jardim escreveu que
"a Autonomia Politica foi para isto mesmo. Desenvolvimento Integral e Convivência Democrática. Hoje, ninguém se espanta com o facto de o
Dr. Guilherme Silva apresentar um livro do Dr.Edgar Silva e do Jornalista Élvio Passos, em espaço digno cedido pela Câmara social-democrata /Funchal".
Este escrito de Jardim motivou, segundo o próprio, a reação de uma pessoa, deve ser próxima e deve conhecer Jardim e o seu passado, interrogado-o: "Porquê, no teu tempo, nem sempre era assim?…”
Esta pergunta é legítima, jamais Jardim considerava "sinal de consolidação da Autonomia Política e da Democracia, o facto de o Dr. Guilherme Silva, na Câmara social-democrata, apresentar um livro do Dr.Edgar Silva, do PCP, e do Jornalista Élvio Passos, do Diário que Jardim "combatia" e os secretários alimentavam com o conhecimento do próprio Jardim, numa estratégia conveniente para justificar uma independência dependente.
A essa pessoa, e agora aos seus leitores, Jardim responde porque, agora, acha democrática essa convivência social democrata e comunista, coisa impensável:
"Explico: Então,o tempo era diferente.
Era ainda o tempo da LUTA para conquistar e sobretudo consolidar a Autonomia POLÍTICA, a Democracia e o Desenvolvimento Integral". Uma explicação como outra qualquer. Jardim foi assim até sair, em 2015, e nem nessa altura se estava consolidada a Democracia para que pudesse ter praticado o que hoje elogia?
Quanto ao livro, intitula-se “Lutas contra a ditadura a partir do Portugal Democrático” lançado na CMF. Um trabalho conjunto de Edgar Silva e Élvio Passos, que foi apresentado por Guilherme Silva. Com a presença do Representante da República, Paulo Barreto, e pelo secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus.
O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, enalteceu o trabalho desenvolvido pelos dois autores, agradecendo ainda a escolha dos Paços do Concelho para a apresentação e lançamento do livro.



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