O novo Hospital não pode ser só um edifício novo

Profissionais de Saúde unânimes numa mudança dos problemas estruturais além das paredes. A médica Lidia Ferreira diz que a Saúde, na Madeira, está centrada na urgência e devia estar na prevenção.

O enfermeiro Mathieu Santos, da área de Saúde Mental, revelou que "quase 30% dos jovens madeirenses já teve acompanhamento psiquiátrico – o dobro da proporção dos adultos".
A iniciativa é de âmbito partidário, as Jornadas Parlamentares do PS-M, mas as posições foram assumidas por profissionais do sector da Saúde. Com uma unanimidade relativamente ao futuro: não basta um novo Hospital, é preciso retificar os problemas estruturais para que eles não passem ao edifício novo. Um novo hospital com as dificuldades do antigo, não é bom para ninguém. Põe o novo igual ao velho.
Lídia Ferreira, representando o Sindicato Independente dos Médicos, alertou que não será a infraestrutura física que irá resolver problemas que estão relacionados com recursos humanos. A saúde está centrada na urgência, quando deveria haver uma maior aposta na medicina preventiva, ao nível do médico de família. O problema, estando o sistema centrado na urgência, acaba por consumir recursos humanos e financeiros e por condicionar outras valências, como os meios complementares de diagnóstico, fundamentais para a prevenção.
Lídia Ferreira alertou, por isso, que, com este sistema, seja o hospital novo ou velho, haverá sempre um afunilamento das respostas que são necessárias.
A oradora apontou também a necessidade de um serviço social que seja capaz de dar resposta aos casos de altas problemáticas, que acabam também por condicionar a prestação de cuidados de saúde.
Já Juan Carvalho, presidente do Sindicato dos Enfermeiros da Região, afirmou que há vários problemas que se arrastam há muitos anos, os quais não se resolveram com a passagem do setor público administrativo para uma Entidade Pública Empresarial.
“A saúde é um setor complicado, de muitas interações e pressões de vária ordem. E, quando muitas vezes, ao longo do tempo, não se tomam as medidas adequadas nos momentos certos, isso repercute-se muito mais tarde”, afirmou.
O sindicalista adiantou que o Serviço de Saúde continua a sofrer as restrições na sequência do plano de ajustamento económico e financeiro a que a Região esteve sujeita, sendo que isso se verifica ao nível da falta de equipamentos, de material de uso corrente e de profissionais, nomeadamente enfermeiros. Como referiu, o Serviço Regional de Saúde conta atualmente com cerca de 2.080 enfermeiros, quando deveria ter 2.500.
Mathieu Santos, enfermeiro da área da saúde mental do Hospital dos Marmeleiros, alertou para o muito que falta fazer neste campo, apontando o aumento de pessoas com quadros de ansiedade e burnout. No caso dos adultos, há muitos quadros ligados ao trabalho e ao custo de vida, enquanto que os idosos apresentam situações ligadas ao isolamento.
Conforme apontou, uma das preocupações está relacionada com os mais novos, sendo que quase 30% dos jovens madeirenses já teve acompanhamento psiquiátrico – o dobro da proporção dos adultos.
O enfermeiro referiu que é nos cuidados primários que a maior parte dos problemas de saúde mental deveriam ser identificados, mas a figura do enfermeiro de saúde mental funciona, muitas vezes, de forma isolada. Da mesma forma, há uma falha de continuidade entre o internamento e a consulta externa, a qual nem sempre é conseguida nos tempos adequados.
Já Luís Filipe Correia, médico dentista, apontou a necessidade de mais políticas públicas para a saúde oral, alertando que há que aprofundar a aposta nos cuidados preventivos.
O médico adiantou que 65% da população tem falta de dentes, mas explicou que a saúde oral não se resume apenas aos cuidados dentários, exemplificando a atuação ao nível da prevenção de outras doenças, como o cancro oral, o sexto mais prevalente ao nível mundial.



Comentários