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O padre que faz 30 anos de "serviço" mas não morria pela Igreja

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 7 horas
  • 2 min de leitura



Padre José Luís Rodrigues: "O que vemos são jogos de poder, vontade de dominar, o desrespeito pelo mistério e o desprezo pela mística. E quanto à ideia de «Igreja Povo de Deus», esqueçam. Isso não existe".





"Sou padre por escolha e por opção pessoal. Não aceito aquela ideia piegas de que é uma vocação ou uma escolha feita por um deus".



O padre José Luís Rodrigues fez uma publicação, no Facebook onde reflete sobre os seus 30 anos, assinalados hoje, de missão e de serviço. Uma reflexão que tem os contornos e os conteúdos de frontalidade, que se reconhece no religioso, tantas vezes em contraciclo com a propagação oficial da Igreja Católica.

Fala de si, mas mais da Igreja, hoje, faz críticas sobre a forma como se posiciona a hierarquia e aponta os males do instituído, com jogos de poder. "E quanto à ideia de «Igreja Povo de Deus», esqueçam. Isso não existe", deixa esta declaração que, sem dúvida, gera debate e polémica do ponto de vista do "status".

O padre José Luís diz que assume a sua "humanidade plena" e escolhe "ser cristão todos os dias com uma carga de defeitos. Sou católico no sentido da universalidade dos Direitos Humanos, da paz, do respeito pela natureza, da proclamação dos Evangelhos e do bem universal dos povos".

Quanto à instituição Igreja Católica, refere, "respeito-a como possibilidade a vir a ser, mas face às ações da sua hierarquia não morria por ela". Escreve mais: "Começou há algum tempo a definhar em mim a ideia de que da sua hierarquia pudesse emergir uma dianteira exemplar de que podia ser possível um mundo mais humano e fraterno.

Mas, nada disso, o que vemos são jogos de poder, vontade de dominar, o desrespeito pelo mistério e o desprezo pela mística. E quanto à ideia de «Igreja Povo de Deus», esqueçam. Isso não existe".

Porque sou padre, perguntam alguns que me chamam de comunista, de herético e desalinhado? - Nomes que considero elogiosos, pois fazem-me sair do habitual e tornam-me diferente num mundo onde só vale ser igual aos demais. Não estou para isso e não quero atraiçoar a diversificada riqueza da criação.

Sou padre por escolha e por opção pessoal. Não aceito aquela ideia piegas de que é uma vocação ou uma escolha feita por um deus, porque se assim for, tenho que considerar que esse tal deus não gosta de mulheres, só escolhe homens e só dá vocação de sacerdote a homens. A história está cheia de demónios pregadores dessa ideia da «vocação dada por um deus».

Gosto de rezar, ler a Bíblia e pensar bastante para tirar as minhas próprias conclusões, só para irritar quem acha que se deve deitar ao caixote do lixo o cérebro e viver em função de padres e bispos"




 
 
 

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