O povo escolheu Albuquerque mas também escolheu consensos
- Henrique Correia

- há 1 dia
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A votação de 2025 foi por um Governo PSD, de maioria relativa. Pelo respeito, tanto pelos 62059 votantes no PSD, que permitiram eleger 23 deputados, como pelos 75061 votantes na oposição, que elegeu 24. O acordo de governo, com o CDS, inverteu

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, líder do PSD Madeira, foi ao Porto Santo para a Festa anual do partido, normalmente realizada em agosto, o mês de casa cheia do Turismo da ilha dourada. O momento foi de mobilização social democrata, compreende-se o discurso de certo modo "inflamado" pela ocasião, que também por norma é propícia a excessos compreensíveis pelo "calor" do tempo e do ambiente à volta, das t-shirts laranja, das bandeiras, que compõem a parte da frente da plateia e dão sempre a ideia de "quem é que não acha que é o PSD que põe o Porto Santo em marcha".
Foi neste calor de verão que Miguel Albuquerque subiu ao palco. Com tudo o que se esperava. O CDS é como se fosse do PSD, e com isso dá a maioria absoluta de 24 deputados, que permite a Albuquerque garantir que, tendo maioria absoluta, não faz consensos com a oposição, que é fraca e se mandasse afundava a Madeira. Portanto, fez consenso com o CDS, que era oposição, negociou a maioria absoluta parlamentar, com lugar de governo aos centristas, mas isso agora conta tudo como PSD. Não precisa nem quer nada com a oposição. Já quis, agora tem o CDS "laranja", o azul é para "disfarçar". É como se Albuquerque anexasse o CDS quando até precisou, e muito, dos centristas quando estes até tiveram o pior resultado dos últimos anos (4289 votos em 2025, 8246 em 2019 e 5374 em 2024).
Pois bem, é neste quadro que o líder social democrata diz:
"Quero que fique bem claro que eu não faço consensos com a oposição e muito menos pactuo com os delírios e as mentiras que estes repetem e que não transformam a Madeira. Aliás, é por isso que há 50 anos estão na oposição, porque o povo não confia neles e porque com eles a governar a Madeira afundava”.
Mesmo atendendo ao discurso partidário, é esta consideração que Miguel Albuquerque faz sobre a oposição na Madeira. Por uma razão simples: o eleitorado escolheu o PSD para governar, com Albuquerque, mas com a votação, de maioria relativa, deixou claro que pretendia uma governação envolvendo negociação e consensos. De respeito, portanto. Tanto pelos 62059 votantes no PSD, que permitiu eleger 23 deputados, como pelos 75061 votantes na oposição, que elegeu 24. Depois, PSD mais CDS fizeram a inversão dos números.
Relativamente às últimas Legislativas Regionais, dos 255.380 inscritos, votaram 142.959 (55,9%). Os votos validamente expressos foram 139.663, excluindo nulos (2581) e brancos (715). Dos inscritos, 112.421 não foram votar.
Com este quadro, e com toda a legitimidade que Miguel Albuquerque e o Governo PSD/CDS têm para governar, com estabilidade para cumprimento da Legislatura, pode acontecer um ou outro discurso mais "acalorado" para puxar pelas bandeiras. O que não pode é esquecer que a maioria dos eleitores madeirenses não votou PSD-M. E isso não dá para desvalorizar, dá para respeitar as escolhas democráticas. Não está em causa se achamos que a oposição é ou não fraca. O que está em causa é a representatividade. Em Democracia é assim, por muito entusiasmo que se coloque nas palavras, há a responsabilidade institucional, que deve ser intocável.



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