O que disse o diretor clínico é grave, é gravíssimo...
- Henrique Correia

- há 1 dia
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O presidente do Governo tem o dever de intervir junto da secretária da Saúde no sentido de atuar com soluções e não com discursos de "paraíso".

As declarações do Dr. Júlio Nóbrega, diretor clínico do Serviço de Saúde da Região, sobre a incapacidade da prestação de cuidados de saúde a 100% em função da existência de 200 utentes em alta clínica, que ocupam 40% das camas, assume uma gravidade que não pode ser ignorada pelo Governo Regional, mas sobretudo pelo presidente do Governo, com intervenção que se espera junto da secretária regional da Saúde. O problema não é novo, mas há um notório cansaço de haver um problema sem solução.
Quando é um partido da oposição, está a fazer aproveitamento político. Quando é um sindicato, está a fazer um papel reivindicativo e a empolar a situação. Quando são utentes que se queixam nas redes sociais ou jornais que trazem, uma vez de vez em quando, alguma notícia sobre deficiências na Saúde, é instrumentalização ou ressabiamentos, sendo situações facilmente desvalorizadas com aquele discurso político de "empurrar com a barriga" até ao próximo "empurrão". As reações são, invariavelmente, estas, e as soluções são travestidas de números sobre a Madeira a crescer como nunca, com a estratégia como sempre. E na Saúde, é esta "doença".
Agora, quando acontece uma exposição daquelas como o diretor clínico fez na RTP-M, então o caso muda de figura. Não há argumentação estratégica que valha no sentido de ser contra o Governo, há uma posição pública de quem é responsável, de quem pretende soluções e não prolongamento de problemas, de quem já colocou a situação em locais próprios durante tempo suficiente para ser ouvido, de quem está a dirigir um departamento tão sensível e que é prejudicado por adiamentos políticos que colocam em causa a prestação dos cuidados de saúde. O que disse o Dr Júlio, com todas as letras, é grave, é gravíssimo, e deveria estar, hoje, a mobilizar governantes e a dar manchetes de jornais, cuja função é a de fiscalizar e dar voz aos utentes, que correm risco de vida quando o diretor clínico diz que o tratamento em corredores, mais do que 12 horas, tem probabilidades de não dar os resultados desejados. Grave, também, a revelação de terem sido canceladas 100 cirurgias nos últimos tempos, num contexto em que o Governo anuncia reforço de meios, humanos e técnicos, para recuperação de listas de espera para cirurgias, bem como a possibilidade de contratação de até cinco médicos reformados para esse apoio à recuperação. E depois, a recuperação não é feita por falta de camas, ocupadas pelas 200 altas problemáticas, as altas clínicas, umas porque as famílias não podem acolher, outras porque as famílias não querem acolher.
A Segurança Social não dá a resposta social que se espera, a secretaria pronove reuniões sem resultados, há visitas a locais de possíveis soluções para acolhimento desses internados, mas o resultado é zero, mesmo admitindo-se que se trata de um problema complexo, de solução complexa, com muitas culpas de algumas famílias, mas os governos são eleitos para ter soluções.
"Investimos na contratação de médicos e enfermeiros, em equipamentos, em robôs cirúrgicos, temos Inteligência Artificial aplicada, e depois não fazemos cirurgias por não termos onde deitar os doentes. E porquê? Porque essa cama está a ser ocupada por um doente que a Segurança Social devia resolver e não resolveu. Nem há perspetivas de resolver", disse o diretor clínico. E mais: "Tem havido, por parte do Governo Regional, uma falta de resposta social, não há Segurança Social que acompanhe as necessidades destas pessoas".
As palavras falam por si. E vão dizer o quê? Que o Dr. Júlio Nóbrega é da oposição? Que quer ser secretário regional? Que é ressabiado? Ou é um responsável de corpo inteiro, que faz um alerta público depois de ter tocado, tanto tempo, as "sirenes" à porta fechada?"



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