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Os jardins da Universidade que já estavam "miseráveis" em 2021

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
há 11 minutos
2 min de leitura


Raimundo Quintal fez a observação em 2021, agora um deputado municipal reforça a "negligência". Nos jardins e no estacionamento "selvagem".




O professor e investigador Raimundo Quintal denunciou, em 2021, o "estado miserável" do jardim da Universidade da Madeira. O presidente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico falava na "perda de mais de 50% das espécies que havia sido inventariadas há 16 anos. Indica que o jardim foi criado entre 1996 e 2002, sendo que em 2005 realizou um inventário que levou à identificação de 553 espécies, que agora estão a ser ‘engolidas’ por espécies invasoras".

Além disso, refere, "está num estado de ‘abandono’ repleto de lixo, com matagal, árvores mortas e sinais de vandalismo. Isto “perante o olhar indiferente da Academia, a inoperância do Magnífico Reitor, que há muito tempo tem responsabilidades na gestão da UMa, a negligência da Secretaria do Ambiente, que tem o dever de preservar espécies notáveis que para ali foram transplantadas do Jardim Botânico e dos jardins da antiga Matur”.

Pois bem, estamos em 2026, passaram-se cinco anos, e a situação está pior, a indiferença também, a falta de noção também, a falta de estratégia também, a falta de uma concertação entre as estruturas ali instaladas também. Resultado, agora, uma outra voz veio a público insurgir-se face a esta triste realidade. Nelson Ferreira, deputado municipal do CHEGA, escreve sobre "a falta de manutenção e a acumulação de resíduos", refere que se trata de "um empobrecimento científico e formativo para uma ilha que tem na sua biodiversidade um dos seus maiores ativos".

"A origem do problema é conhecida: a indefinição quanto às entidades responsáveis pela manutenção, num braço de ferro entre a Reitoria e o Governo Regional que dura há demasiado tempo. Enquanto se discute de quem é a culpa, o património científico e natural".

O estacionamento é outro problema conhecido, começa logo à entrada do espaço, na estrada, com congestionamento permanente, no interior é uma organização "selvagem", carros estacionados a meio da estrada, motos nos passeios de acesso ao Tecnopolo, obstrução de zonas de entrada, o que poderá ser problema em situação de emergência, tudo perante a passividade generalizada.

Nelson Ferreira lembra que "o campus da Penteada concentra diariamente milhares de pessoas — estudantes, docentes, trabalhadores e serviços — para pouco mais de 500 lugares exteriores. O resultado é uma anarquia de carros estacionados em ambos os lados das vias, curvas que se tornam intransitáveis e um stress diário que afeta a saúde mental de quem frequenta a instituição. Não há estratégia de mobilidade, não há alternativas eficazes de transporte público e não há uma gestão inteligente dos espaços existentes. Há apenas a lei do mais forte e a resignação de quem já se habituou a chegar duas horas antes para garantir um lugar".

"A Universidade da Madeira tem todas as condições para ser um exemplo de como uma instituição de ensino superior pode aliar excelência científica, consciência social e respeito pelo património natural. Mas, para isso, precisa de coragem para olhar para dentro e para fora".

 
 
 

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