Prédios altos: Ordem ajusta "arquitectura" do discurso
- Henrique Correia

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Susana Neves disse à RTP-M ser a favor da construção em altura, mas a Ordem "pensou" melhor e em comunicado diz não ser nem contra nem a favor.

A construção em altura, com 20 ou mais andares, como defendeu o presidente do Governo Regional, apontando como sendo uma solução para o problema da habitação, e indicando a zona da Ajuda como uma possibilidade de acolhimento dessa ideia sem descaraterizar o anfiteatro do Funchal, gerou um grande debate sobre o assunto e motivou inclusive uma petição para que a questão fosse analisada em sede de Parlamento. Será que é mesmo essa a solução? Será que essa solução é mais barata? Que implicações tem uma construção dessa natureza, nos requisitos técnicos exigidos para garantir qualidade e segurança?
A Ordem dos Arquitectos, secção da Madeira, mostrou-se a favor dessa solução, através de um depoimento de Susana Neves à RTP-M, que apesar de ser favorável ("estamos completamente de acordo desde que feito com conta e medida), defende uma estratégia ponderada para não alterar a identidade do anfiteatro do Funchal, mas diz ser possível pensar o assunto com engenheiros e arquitectos, envolvendo a suspensão do PDM.
Pois bem, poucos dias depois, a Ordem emitiu um comunicado onde diz que não é a favor nem contra. Uma espécie de neutralidade que muitos apontam como uma forma de não se comprometer e ficar a bem com todos.
Efetivamente, o comunicado publicado pelos jornais indica que "o debate deve centrar-se na qualidade da arquitectura e no ordenamento do território". A Ordem não é "nem a favor nem contra" este tipo de soluções arquitectónicas, defendendo que "cada projecto deve ser analisado de acordo com o contexto territorial e os critérios técnicos aplicáveis".
Devido à orografia da Madeira, a construção em vários pisos não se traduz apenas em edifícios altos, mas também em edificações desenvolvidas em cotas inferiores ou superiores às vias, muitas vezes adaptadas às escarpas características do território.
A Ordem considera que "não lhe compete tomar posição sobre tipologias construtivas ou opções estéticas, por considerar que essas decisões pertencem aos arquitectos, enquanto profissionais qualificados para conceber soluções adequadas às características de cada local".
A missão da Ordem "passa por defender valores como o direito à habitação acessível, a qualidade da arquitectura, do urbanismo, da paisagem e do ambiente, e não por escolher entre diferentes soluções técnicas ou estratégicas".



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