Representante alerta para tempos de vulgaridade
- Henrique Correia

- há 9 minutos
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"Não havendo tempo, nem sapiência para ir ao fundo das questões, ao que verdadeiramente interessa, tudo se torna em vulgaridade, em enganosa superficialidade".

O Representante da República na Madeira, Paulo Barreto, fez o seu primeiro discurso oficial deste mandato de cinco anos. Foi no aniversário da Zona Militar da Madeira e a tónica inicial não podia ser mais oportuna relativamente aos novos tempos, de superficialidade, transversal às diferentes vertentes da vida, a pública e a publicada, a generalidade, sem generalizar.
Barreto falou num "triste domínio da ignorância e do maniqueísmo", e quando referiu a nota dominante de que "os nossos são os bons. Os maus são os outros, os que pensam diferente", logo podemos encontrar paralelismo com um determinado modo de operar da ação política, que não sendo recente, tornou-se padrão e escola.
O Representante considera que "não havendo tempo, nem sapiência para ir ao fundo das questões, ao que verdadeiramente interessa, tudo se torna em vulgaridade, em enganosa superficialidade, em manifesta ignorância. Como já o disse num artigo de opinião, sem a percepção da essência, a vida reduz-se a um falso dualismo. Nestes nossos tempos, tudo tende a ser preto ou branco. Uns são os bons, outros os maus. Na visão ocidente versus oriente, aqui se esquecendo a riqueza de culturas tão diversas e de que todos somos Terra. Na economia, na política. Nas pessoas. Os nossos são os bons. Os maus são os outros, os que pensam diferente. Tudo o que um dos nossos faz ou diz é acertado. Os outros são ignorantes. A solução é sempre nossa, a culpa e os erros dos outros".
Nesta intervenção, Paulo Barreto sublinha que "assim não deve ser. A vida tem sobretudo pensamento e razão. A capacidade de analisar criticamente o que me propõem, o que vejo, o que me dizem ou fazem, é a única maneira de me afirmar como sujeito de direitos e deveres. Pensar, discutir, ponderar, duvidar, são meios imprescindíveis para uma caminhada assertiva, fundada numa sólida base de valores e princípios, com respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana e da vida em comunidade, a fim de perseguir e de porventura alcançar um fim último: a dignidade".
Relativamente às Forças Armadas, no fundo a razão desta cerimónia, Paulo Barreto lembra que "o contexto internacional de segurança é de profunda transformação.
Nesta medida, maiores e mais exigentes serão as participações de contingentes militares portugueses no estrangeiro.
É urgente, assim, um reforço no investimento da defesa nacional. Não apenas no imediato, mas que perdure no tempo.
É preciso, outrossim, garantir os recursos humanos necessários para as Forças Armadas. Reforçar a capacidade de mobilização.
Estão em discussão na Assembleia da República profundas alterações à Lei de Defesa Nacional, à Lei que regula o acompanhamento do envolvimento de contingentes militares portugueses no estrangeiro e à Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas.
Mas todo este investimento tem que ser suportado e apoiado pela sociedade, pelos portugueses, daí que se exija transparência e visibilidade aos decisores políticos, assim assegurando maior legitimidade democrática.
Só deste modo se garante uma forte união entre as Forças Armadas e a sociedade".



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