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Trindade ex PSD-M: o silêncio é condição de permanência

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 27 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura


António Trindade, apoiante de Manuel António nas internas contra Miguel Albuquerque, explicou, no Observador, as razões da desvinculação do partido.



"A militância transformara-se em obediência, a crítica era encarada como deslealdade e o silêncio tornara-se condição de permanência". Foram estas, em síntese, as razões que levaram António Trindade, apoiante de Manuel António Correia nas internas do PSD-M, a desvincular-se da filiação partidária, anúncio feito recentemente através do JM, agora também esclarecido num artigo publicado no Observador.

Desde logo, apoiar Manuel António foi assumir um posicionamento que as estruturas do partido foram céleres em separar, o partido dividiu-se e registou-se, quase de imediato, um afastamento cirúrgico de alguns militantes, curiosamente todos afetos à lista de oposição a Miguel Albuquerque.

Neste artigo, António Trindade sublinha que "os partidos confundem-se com o exercício do poder institucional, preocupando-se sobretudo em mantê-lo, à custa de alianças e conveniências entre os que estão mais à mão, tantas vezes valorizando mais os que vêm de fora do que os que estão dentro. Quem ousa pensar de forma diferente é silenciado. Quem propõe uma visão própria é estigmatizado. A política tornou-se, de facto, um ambiente onde o pensamento crítico é frequentemente isolado e desacreditado, tudo em nome de uma suposta estabilidade. Quando o certo é distorcido e o errado normalizado, torna-se legítimo questionar se o interesse comum ainda é, de facto, uma prioridade".

E diz que foi este ambiente que o motivou a sair: "Saio com respeito pelo trajeto que o partido projetou e transformou na Madeira, com admiração e gratidão pelas referências incontornáveis da sua história, desde o militante popular e altruísta de base até aos mais distintos dirigentes, como o Dr. Alberto João Jardim e o Dr. Francisco Sá Carneiro, cuja visão e dedicação estão indelevelmente ligadas à identidade da Madeira. Isso vai comigo e fica também no partido, como parte de um legado que ninguém tira. Mas saio com a convicção de que já não havia espaço para contribuir. A militância transformara-se em obediência, a crítica era encarada como deslealdade e o silêncio tornara-se condição de permanência'.

António Trindade esclarece: "Não desisti da intervenção cívica e política, nem das causas em que acredito. Mas há limites pessoais, profissionais e políticos que não podem ser ignorados. Quero continuar a contribuir para uma participação livre, onde o valor das pessoas e das ideias não seja motivo de exclusão, mas sim de inclusão e construção".

"Quando a militância falha, jamais pode falhar a responsabilidade individual de participação cívica e política. Precisamos de espaços positivos que voltem a contar. Que pensem nas pessoas. Que sejam solução. Que devolvam identidade, sentido ao voto e à ação cívica", conclui o ex-militante social democrata madeirense.

 
 
 

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