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  • Henrique Correia

O Natal da "meia dose"



Vamos "viver" a "Festa" com medo de vivê-la. Mesmo com uns copos, com as carnes todas na mesa, com os presentes e uns beijos à distância, como aqueles que os nossos avós despachavam da janela para a rua e da rua para a janela.


Foto SIC


A Covid-19 está a "arrasar" com tudo. Duvido mesmo que, em consciência, possamos realmente viver este Natal mesmo naqueles mínimos que dizem possíveis, naquela "meia dose" que agora pegou moda, relativamente às medidas adotadas pelos governos, que estão confrontados com uma pandemia que é ainda desconhecida, numa grande parte, resultando em decisões que, embora suportadas por pareceres médicos e das respetivas autoridades de Saúde, pecam por alguma falta de coerência e por uma base que diariamente sofre alteração. Mas percebe-se a dificuldade de manter a "meia dose" quando a situação pede mesmo a "dose inteira". E logo por aqui não é possível.

"Vamos todos fazer mais com menos, porque este Natal não tem de ser um Natal sem Festas", publicita o Governo Regional no site oficial. Compreende-se. Acontece no continente, acontece no resto da Europa, acontece no resto do mundo. Não há uma receita, não existem certezas absolutas. Os governos querem conter a pandemia, mas também não podem fechar tudo. Querem manter as pessoas em casa, mas também querem que venham ver as luzes. Querem um fim do ano com fogo, mas pedem para não ir para cidade, nem para a estrada, nem para zonas de muita gente, nem para as varandas com mais de 6 pessoas porque vai parecer mal à vizinhança que nem sai à rua. Querem povo a 31 no Funchal, mas esta segunda-feira vamos saber se será com círculos no chão ou com outra solução qualquer que a tal "meia dose" recomenda. É preciso fazer, faz-se. E já que está decidido, fica assim. Cada um que se governe como pode com as recomendações que se mandam.

Numa época tradicionalmente de afetos, da família, da reunião que, em muitos casos, é única no ano inteiro, não podemos fazer mais com menos, por uma razão simples que não há forma de substituirmos sentimentos, vivências de afetos. Vamos fazer menos com menos, vamos ter um natal sem Festas. Estamos em pandemia, é como se fosse uma guerra, sem armas mas uma guerra com inimigo invisível. Vamos "viver" a "Festa" com medo de vivê-la. Mesmo com uns copos, com as carnes todas na mesa, com os presentes e uns beijos à distância, como aqueles que os nossos avós despachavam da janela para a rua e da rua para a janela.

E agora, temos outro problema a juntar ao aumento de casos de transmissão local. A situação verificada no Reino Unido, um mercado turístico grande para a Madeira, que confinou grande parte do território e vai exigir, da parte do Governo Regional, uma reavaliação relativamente aos passageiros daquela proveniência. Nos últimos seis dias, no rastreio verificado nas unidades do Aeroporto Internacional da Madeira CR7, foram testados 27 positivos com a proveniência no Reino Unido, o que se traduz num fator acrescido de preocupação, além de que, também agora, apareceu uma nova variante do vírus, dizem que 70% mais contagiosa. E agora? Vamos proibir a entrada de passageiros do Reino Unido? Vamos adotar outras medidas, uma vez que se pretende que este quadro irá crescer nos próximos tempos, atendendo ao número de voos e de passageiros desembarcados na Região? Como vamos reagir a este aumento de casos, à dupla testagem que está a provocar o caos nas unidades e o trabalho intenso dos profissionais, com uma possibilidade de esgotamento?

É muito para gerir neste Natal de "meia dose"...



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