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  • Henrique Correia

A nossa mania do "yes, sir"


O Reino Unido põe e dispõe o que quer e quando quer. A nossa capacidade de agachamento ao "chá das cinco" é inesgotável. O turismo britânico é importante, mas quem muito se agacha...




Esta decisão do Reino Unido de retirar Portugal da lista verde para viagens seguras, é ridícula. Podem explicar o que quiserem, podem argumentar com uma variante nepalesa, podem fazer o pino, podem jogar com os números que não conseguem sair desse ridículo. As variantes já existiam, por exemplo, com aquele corredor verde de Covid só para que os britânicos viessem ao Porto ver a final da Liga dos Campeões e fazer o corredor da cerveja, como se estivessem em casa - em casa talvez não fizessem aquilo - andando aos desacatos sem o cumprimento do que quer que seja, com a nossa eterna mania de agachamento perante o "chá das cinco" e a falta de alternativas, por inércia, que durante anos fez com que as nossas políticas de promoção andassem a "dormir" à sombra do turismo britânico. Estava a dar, para quê ter trabalho. Vejam no que dá. E pior com o Brexit.

O governo britânico não quer que a população vá de férias para fora, neste momento, não sendo por acaso a lista verde que escolheu (entre outros países

a Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Brunei e Ilhas Malvinas...), números à parte. Quer turismo feito internamente e só abriu Portugal porque havia a final da Champions, caso contrário já tinha colocado o nosso país de lado há mais tempo. E essa má vontade vê-se pela forma como avalia a situação da Madeira, que é uma ilha, com um quadro epidemiológico favorável, com todas as condições para receber turismo, mas colocada no mesmo "saco" como se fosse envolvesse o mesmo perigo. Quando a verdade até é bem contrária, a Madeira é que deveria ter cuidado com o turismo britânico, mesmo com os elevados níveis de vacinação que já têm.

Claro que há aqui um aspeto que, enquanto país, Portugal tem explicações a dar, o aumento de casos sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo. Deu o "flanco" para que o governo britânico tivesse alguma margem argumentativa para assumir esta decisão. É preciso dizer isto, mas é preciso, também, além do governo, responsabilizar os portugueses, que já andam pela rua como se a Covid-19 estivesse resolvida. E não está, como se vê.

Agora, uma coisa é certa: vamos andar a decidir a nossa retoma ao sabor destes caprichos do governo britânico, nós agachados como sempre, ou vamos à luta, para o terreno, procurar alternativas, trabalhar afincadamente para preparar o futuro e captar novos mercados, para que possamos, não no imediato, mas num médio, longo prazo, ter novos mercados e fazer valer o nosso serviço de cabeça erguida?

Bem sabemos o que o turismo britânico representa para a Madeira, para a nossa economia. E nós precisamos. É verdade e importante ter isso em conta. Mas como diz o povo: quem muito se agacha...

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