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  • Henrique Correia

A vida com medo e com medo da vida


Isto não é vida que se tenha até que o medo deixe de ser medo que se sinta...



Foto Banda B


Temos medo de ficar infetados mesmo que assintomáticos. Temos medo quando verificamos uma média de dois mil casos positivos de Covid-19, na Madeira, também de cerca de 20 mil pessoas em casa por isolamento. Temos medo que uma qualquer distância seja insuficientemente distante para garantir seja o que for. Temos medo que a máscara não seja suficientemente protetora para asegurar uma percentagem suficientemente grande para que possamos passar entre os "pingos da Covid-19". Temos medo de ir a um hospital, a centro de saúde nem se fala, a um restaurante, a um bar, a passar numa rua com movimento de pessoas com medo, mas algimas com um medo diferente que lhes permitiu, ainda, sair de casa com a máscara abaixo do nariz. Temos medo de novo, temos uma vida de medo que tem medo da vida. E vemos, todos os dias, pessoas cada vez mais perto de nós com um resultado positivo, com um isolamento forçado pelas circunstâncias. E ficamos à espera, com medo, mas à espera que o vírus chegue e uma vaga esperança que passe ao lado. E se chegar, que chegue fraco. Mas do medo ninguém nos tira e nem a terceira dose, cuja eficácia já nem tem percentagem que nos diga mais do que sabemos, afasta a grande pandemia que o medo já instalou e cujas consequências não estou certo que fiquem apenas por uma gripe psicológica.

Os hotéis estão com quebras elevadas, as pessoas têm medo, viajam menos, voltamos a pensar duas vezes. Há restaurantes e bares fechados, muito sem funcionários suficientes, têm Covid. Os que estão abertos voltam às quebras. Os serviços adaptam-se até ver e todos os dias temos 2 mil casos para contabilizar. E mesmo que muitos correspondam a assintomáticos, a verdade é que a ausência imposta pelo isolamento provoca constrangimentos centrais e laterais, na família, no emprego, na dúvida do que é ainda desconhecido, na luta contra tantas certezas que algumas "espertezas" vão derramando na sua irresponsabilidade, até que lhes chega um "cheirinho" e um medo que os empurra para casa, para a reflexão e para as vacinas, cujos centros têm andado cheios de gente que vêm de uma vida de certezas. E com medo, um medo que não tinham. Agora, é o medo mais as dúvidas. E engrossam o pelotão de gente com medo e com dúvidas.

Isto não é vida que se tenha até que o medo deixe de ser medo que se sinta...


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